Itália busca sobreviventes após colapso de ponte

Uma agência de notícias italiana informou que cerca de 35 pessoas provavelmente foram mortas, citando fontes do corpo de bombeiros

Gênova – Bombeiros buscavam sobreviventes e corpos em meio aos escombros da ponte de uma via expressa que desmoronou na manhã desta terça-feira em Gênova, cidade portuária do norte da Itália, matando 22 pessoas.

Embora esse permaneça como o número oficial de mortos, o primeiro-ministro Giuseppe Conte disse de Gênova que essa contagem subiria. A agência de notícias italiana Ansa informou que cerca de 35 pessoas provavelmente foram mortas, citando fontes do corpo de bombeiros.

Uma seção de 50 metros da ponte, incluindo uma torre que ancorava vários apoios, desabou com até 35 veículos que a atravessavam sobre os telhados de armazéns e outros edifícios, lançando grandes placas de concreto reforçado dentro do leito de um rio.

Mais de 400 pessoas foram retiradas de 11 edifícios localizados perto ou abaixo da ponte, disse a prefeitura. O colapso parece não ter matado ninguém sob a estrada, mas apenas aqueles que estavam dirigindo nela, disse a agência de proteção civil.

“Ainda estamos tentando retirar sobreviventes dos destroços”, disse Alessandra Bucci, policial de Gênova. “Esperamos encontrar mais pessoas vivas”.

Horas depois do desastre, ocorrido em uma manhã de chuva torrencial, o governo anti-establishment que tomou posse em junho disse que o colapso da ponte provou que a Itália precisa gastar mais para melhorar sua infraestrutura dilapidada, ignorando restrições orçamentárias da União Europeia se necessário.

“Deveríamos nos perguntar se respeitar estes limites (orçamentários) é mais importante do que a segurança dos cidadãos italianos. Obviamente para mim não é”, disse o vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, que governa com o Movimento 5 Estrelas.

Salvini também disse querer os “nomes e sobrenomes dos culpados, porque uma tragédia como esta em 2018 não é aceitável”.

“Eles terão que pagar, pagar por tudo, e pagar muito”.

Imagens de helicóptero publicadas em redes sociais mostraram caminhões e carros detidos dos dois lados da seção ruída de 80 metros de comprimento da Ponte Morandi, construída na via expressa taxada A10 no final dos anos 1960. Um caminhão foi visto a poucos metros da extremidade rompida do que os locais apelidaram de “Ponte do Brooklyn”.

O motorista Alessandro Megna disse à rádio estatal RAI que estava em um engarrafamento bem debaixo da ponte e viu o desmoronamento.

“De repente a ponte veio abaixo com tudo que estava em cima. Realmente foi uma cena apocalíptica, não conseguia acreditar nos meus olhos”, contou.

Luigi D’Angelo, autoridade da agência de proteção civil, disse que havia 30 carros e entre cinco e 10 caminhões na estrada quando a seção intermediária despencou. Até agora 16 pessoas foram hospitalizadas, 10 delas em estado grave, disse a agência.

Stefano Marigliani, funcionário da Autostrade – unidade do grupo de infraestrutura Atlantia que administra a seção da via expressa que desmoronou – responsável pela área de Gênova, disse à Reuters: “O desmoronamento foi inesperado e imprevisível. A ponte era monitorada constantemente e supervisionada muito mais do que a lei exige”.

(Por Massimiliano Di Giorgio, Giulia Segreti, Valentina Za, Ilaria Polleschi; reportagem adicional de Angelo Amante e Stefano Bernabei)