Israel corre risco de ter novas eleições com apoio à dissolução da Câmara

O presidente de Israel recebeu uma carta do partido de Netanyahu sobre as dificuldades do primeiro-ministro em fazer uma coalizão e sugere novas eleições

Jerusalém — O presidente do Parlamento de Israel, Yuli Edelstein, recebeu nesta segunda-feira uma carta assinada por parlamentares que apoiam uma lei para dissolver a Câmara recém-formada proposta pelo Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A carta evidencia as dificuldades de Netanyahu para desenvolver uma coalizão de governo e sugere novas eleições. O texto é assinado pelos possíveis membros da coligação que Netanyahu tenta formar desde que venceu de forma apertada, em 9 de abril, e foi designado pelo presidente Reuven Rivlin, para a tarefa, de acordo com o jornal “The Times of Israel”.

O chefe do governo interino tem até quarta-feira à noite para anunciar um acordo de governo, depois de pedir uma prorrogação de duas semanas a Rivlin por causa dos obstáculos que enfrentou, sendo o principal a lei de recrutamento ao serviço militar para judeus ultra-ortodoxos, que não tem o apoio de dois partidos religiosos e que é exigido por um terceiro como requisito indispensável para dar apoio ao governo.

Desde ontem, a imprensa local especula a possibilidade de o Likud apresentar uma moção para a dissolução do Knesset (Parlamento) como forma de pressionar estes potenciais membros antes da data limite. Caso seja apresentada, a moção deve passar por três rodadas de votação para ser aprovada, e assim o país teria que ter novas eleições, algo que nunca aconteceu.

“Netanyahu vai tentar sobreviver, mas o Estado nos pertence”, criticou o líder do partido opositor Azul e Branco, Benny Gantz, que disputou as últimas eleições, mas não conseguiu se eleger premiê.

O primeiro-ministro precisa do apoio dos três partidos de oposição para conseguir uma maioria de pelo menos 61 deputados.

Se não conseguir em dois dias, Rivlin poderia convocar novas eleições, encarregar a formação de um novo governo a outro membro do Parlamento ou dar mais duas semanas de prazo ao primeiro-ministro interino, mas só se 61 parlamentares apoiarem esta medida por escrito. Outra opção seria um governo minoritário, com uma coalizão de 60 parlamentares e apoio externo do Israel é Nosso Lar, de Avigdor Lieberman, e seus cinco representantes no Knesset.