Israel cancela missão da Unesco em Jerusalém

O país acusou os palestinos de terem "politizado" a missão, que consistia em avaliar o estado do patrimônio na Cidade Velha de Jerusalém Oriental

Jerusalém – Israel anunciou nesta segunda-feira o cancelamento de uma missão da Unesco para avaliar o estado do patrimônio na Cidade Velha de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada, acusando os palestinos de terem “politizado” a missão.

Entrevistado, um porta-voz da Unesco em Paris, Sue Williams, declarou à AFP que “a missão não foi cancelada, mas adiada”, indicando que ainda não há nova data.

“Os palestinos não cumpriram os acordos. A visita era para ser profissional, eles tomaram medidas que politizariam o evento sem deixar a delegação se concentrar nos aspectos profissionais”, afirmou à AFP uma funcionária do ministério israelense das Relações Exteriores.

Ela culpou os palestinos “de querer discutir questões políticas com a missão” e de “fazer com que a delegação visitasse o Monte do Templo”, nome judeu da Esplanada das Mesquitas, na Cidade Velha.

Pouco antes, o assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas para as questões de Jerusalém, Ahmad Rouweidi, tinha dito à rádio Voz da Palestina que a missão deveria chegar durante o dia e começar a trabalhar na terça-feira.

A missão “encontrará um comitê palestino composto por especialistas que irão relatar as violações israelenses, tais como as construções sob (a mesquita) Al-Aqsa”, localizada na esplanada, declarou.


“A esperança é que a missão produza um relatório no qual constem as violações israelenses em Jerusalém”, acrescentou.

“De acordo com o programa, a missão visitará Al-Aqsa, mas sabemos que Israel fará todo o possível para impedi-la”, ressaltou.

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) havia anunciado em um comunicado em 24 de abril o envio em maio de uma “missão de peritos para examinar o estado de conservação do Patrimônio Mundial da Cidade Velha de Jerusalém e seus muros”, pela primeira vez desde 2004.

As conclusões e recomendações da missão serão “apresentadas ao Comitê do Patrimônio Mundial na sua próxima sessão a ser realizada em Phnom Penh, no Camboja, em junho de 2013”, disse.

A esplanada, que os muçulmanos chamam de “Nobre Santuário” (Haram al-Sharif) e os judeus de “Monte do Templo” é um lugar sagrado para o islã como no judaísmo e uma fonte de tensão entre as duas comunidades .