Israel aprova a convocação de até 75 mil reservistas

Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, em um ataque que matou três civis palestinos no campo de refugiados de Maghazi

Cidade de Gaza – Foguetes disparados da Faixa de Gaza atingiram pela primeira vez Jerusalém nesta sexta-feira, enquanto Israel anunciou a convocação de até 75 mil reservistas, informou o canal 2 da televisão israelense. Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, em um ataque que matou três civis palestinos no campo de refugiados de Maghazi, enquanto o gabinete de ministros aprovou a convocação de até 75 mil reservistas, o que pode indicar uma invasão terrestre do território palestino. O presidente do Egito, Mohammed Morsi, disse que o ataque israelense contra a Faixa de Gaza é uma “agressão contra a humanidade”. Nesta sexta-feira, o número de mortos na onda de violência, que começou na quarta-feira, subiu para 30 pessoas.

Nesta sexta-feira, a Faixa de Gaza foi visitada pelo primeiro-ministro do Egito, Hisham Kandil, o qual se encontrou com o primeiro-ministro do território palestino, Ismail Haniyeh, do movimento Hamas. Kandil visitou palestinos feridos pelos bombardeios nos últimos dias, no Hospital de Shifa. Funcionários do Hamas disseram que Israel bombardeou a casa de Haniyeh na noite de quinta-feira, em meio a uma forte escalada nos ataques. Militares israelenses negaram ter bombardeado a casa do premiê da Faixa de Gaza.

A visita de Kandil à Faixa de Gaza, insólita para um premiê do Egito, ocorre em meio à escalada do conflito, que já deixou pelo menos 30 mortos – 27 palestinos e três israelenses. Um funcionário graduado do Hamas disse que o Egito está trabalhando para que seja firmado um cessar-fogo. Israel não confirmou se ocorre uma negociação.


Nos últimos três dias, Israel desfechou 150 ataques aéreos e disparos de tanques e artilharia contra o território palestino, enquanto os militantes do Hamas e da Jihad Islâmica dispararam pelo menos 450 foguetes contra território israelense – atingindo ontem Tel-Aviv e hoje Jerusalém. Foi a primeira vez que Tel-Aviv foi atingida por um míssil desde 1991, quando, durante a primeira Guerra do Golfo, a cidade israelense foi atingida por um foguete iraquiano. O míssil que hoje atingiu Jerusalém caiu em um assentamento judaico no sul de Jerusalém Oriental. Os ataques não deixaram vítimas, mas mostraram que existe vulnerabilidade. Os três israelenses mortos, civis, foram atingidos na cidade de Kiryat Malachi na quinta-feira, no sul de Israel.

“Nós estamos enviando uma mensagem simples e curta: não existe segurança para qualquer sionista em qualquer canto da Palestina e planejamos mais surpresas”, disse Abu Obeida, porta-voz da ala militar do Hamas, comentando os disparos contra Tel-Aviv e Jerusalém. O Hamas prometeu vingar a morte de Ahmed Jabari, líder da ala militar do movimento, morto na quarta-feira por uma bomba lançada por um caça israelense. A morte de Jabari levou à atual escalada.

Um funcionário do governo de Israel se recusou a confirmar se o Egito ou outros países estão negociando um cessar-fogo. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que governa a Cisjordânia, pediu aos Estados Unidos e à União Europeia que forcem Israel a parar com a ofensiva. Abbas também pediu a unidade palestina. O Hamas é rival político de Abbas.

Em Nova York, o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Martin Nesirky, disse que o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, visitará a região “nos próximos dias” para tentar negociar uma trégua. Abbas disse que Ban estará na região em “dois ou três dias”.

O presidente da França, François Hollande, se disse “muito preocupado” com o conflito entre Israel e a Faixa de Gaza. Ele afirma ter manifestado essas preocupações ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, bem como ao presidente egípcio Morsi. Já o presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou hoje para o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para conversar sobre a crise.

Em Israel, a tenente-coronel Avital Leibovich, porta-voz das Forças Armadas, disse que uma ofensiva militar terrestre ainda não foi decidida, mas que essa opção também não foi descartada. Dezenas de tanques e blindados foram deslocados ontem e hoje para a fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. Ela disse que nesta sexta-feira foram convocados 16 mil reservistas e que o exército poderá convocar nas próximas horas outros 14 mil. Ela não quis dizer para onde os reservistas serão enviados.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.