Irã celebra revolução e pede negociações justas com Ocidente

O presidente iraniano Hassan Rohani também descartou qualquer abandono do programa nuclear do Irã

O presidente iraniano Hassan Rohani pediu nesta terça-feira um diálogo “justo e construtivo” com as grandes potências, em seu discurso por ocasião do 35º aniversário da Revolução Islâmica, denunciando ao mesmo tempo a “ilusão” de uma ação militar contra o Irã em caso de fracasso diplomático.

Ele também descartou qualquer abandono do programa nuclear do Irã, ressaltando que “o caminho (…) para o cume do progresso e da ciência, principalmente a tecnologia nuclear civil, continuará”, enquanto que as negociações devem recomeçar em 18 de fevereiro para um acordo final e abrangente sobre a questão nuclear iraniana.

No final de novembro, em Genebra, o Irã concluiu com o grupo 5+1 (China, Estado Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha) um acordo preliminar por um período de seis sobre um congelamento de algumas atividades nucleares em troca do levantamento parcial das sanções impostas pelo Ocidente e que estrangulam a economia.

Estas negociações devem ser capaz de alcançar um acordo global que garanta a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano.

As atividades nucleares iranianas estiveram no centro das preocupações internacionais nos últimos dez anos. Alguns países ocidentais e Israel temem que ocultem um objetivo militar, apesar de Teerã desmentir reiteradamente essas acusações.

Mas prometem ser difíceis, dada “a falta de confiança” nos Estados Unidos, segundo as autoridades iranianas.

“O Irã está determinado a realizar negociações justas e construtivas dentro das regras internacionais. Esperamos que os demais tenham a mesma vontade”, declarou Rohani em um discurso às milhares de pessoas reunidas em Teerã para comemorar a chegada ao poder do imã Khomeiny e a queda do regime do Xá (o 22 Bahman no calendário iraniano) há 35 anos.

Essas negociações “são um teste histórico para a Europa e os Estados Unidos”, que decretaram “sanções brutais, ilegais e ruins”, acrescentou o presidente iraniano.


Assim como nas maiores cidades do Irã, a multidão se reuniu nesta manhã aos gritos de “Morte à América”, considerada inimiga histórico apesar da retomada do diálogo durante as negociações nucleares. Uma grande bandeira americana de 60 metros foi queimada.

“Preservar nossos direitos”

“Nós não confiamos na América, nós podemos suportar as dificuldades (das sanções) para proteger os nossos direitos”, afirmou à AFP um islamita de 20 anos.

Um cartaz anunciava “Estamos prontos para a batalha final”, entre muitos retratos do fundador da República Islâmica, o imã Khomeini e o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Hassan Rohani beneficia do apoio do aiatolá Khamenei para realizar essas negociações por intermédio de seu carismático chefe da diplomacia, Mohammad Javad Zarif.

Mas este diálogo é denunciado pelos conservadores, que consideram exageradas as concessões feitas aos ocidentais.

“Devemos questionar que alguns estão dispostos a vender a baixo preço a grandeza e o poder do Irã para acabar com a animosidade dos Estados Unidos”, declarou Mohammad Ali Jafari, chefe da Guarda Revolucionária, a elite do exército do regime islâmico.

Irã e Estados Unidos romperam relações diplomáticas em 1980, após a tomada de reféns na embaixada americana em Teerã por estudantes islâmicos.

O aiatolá Khamenei acusou recentemente as autoridades americanas de “mentir” ao dizer que não trabalhavam para uma mudança de regime no Irã.

Nesta terça-feira, Hassan Rohani denunciou as recentes declarações do secretário de Estado americano, John Kerry, sobre opções militares “prontas e preparadas” se Teerã não cumprir o Acordo de Genebra.

“Digo claramente aos que têm a ilusão de que existe sobre a mesa a opção de uma ameaça contra nossa nação que devem mudar de óculos, porque a opção de uma ação militar contra o Irã não está sobre nenhuma mesa do mundo”, declarou Rohani.

Na segunda-feira, o Irã anunciou o teste bem sucedido de dois mísseis de nova geração, “com uma grande capacidade de destruição”, segundo o ministro da Defesa iraniano Hossein Dehgan.

O Irã assegura que seu arsenal militar é dedicado unicamente à defesa de suas fronteiras e que não será utilizado em caso de ataque.

Mas seu programa de mísseis balísticos, que inclui mísseis de um alcance de até 2.000 km capazes de atingir Israel, preocupa os países ocidentais e é alvo de várias condenações da ONU.