Internet aquece debate político, mas não define eleição

Mudança na lei eleitoral, que permitiu liberdade de expressão na rede, aqueceu o debate político dentro e fora da web

Brasília – A nova lei eleitoral que passou a valer nas eleições deste ano liberou o uso da internet na campanha eleitoral. Antes, a propaganda eleitoral devia se limitar ao site oficial de cada candidato. “A internet se transformou na grande esperança para as campanhas, de quatro em quatro anos, a expectativa em relação à rede é muito grande”, avalia Marcello Barra, pesquisador do grupo de Ciência tecnologia e educação na contemporaneidade da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Barra, o debate na internet fez crescer o interesse político nessas eleições e a rede também ajudou na mobilização dos eleitores de forma “off-line”. No entanto, o pesquisador destaca que é necessário perceber a expectativa concreta da internet. “O acesso à internet aqui no Brasil ainda é muito baixo, mas dentro das limitações, ela foi a grande estrela das campanhas deste ano”, afirma.

Para Marcello Barra, a internet tem o poder de lançar tendências. “Geralmente quem tem acesso constante à internet são as pessoas de classe média e média alta. Elas tendem a ser formadoras de opinião e as ideias acabam refletindo nas classes mais baixas.”
Barra considera que as redes sociais foram as grandes “vedetes” dessas eleições. “Agora o candidato é levado a dialogar com o eleitor e isso dá uma cara nova à nossa democracia.”

Além das redes sociais, houve outras iniciativas para conscientizar o eleitor pela rede. O site Ficha Limpa, que cadastrava candidatos dispostos a prestar contas da campanha semanalmente, teve cerca de 3 milhões de pageviews (visualização de páginas) em pouco mais de dois meses no ar. Já o 10 Perguntas, onde os eleitores perguntavam – e votavam nas melhores perguntas – em troca das respostas dos candidatos, em vídeo, só contou com as respostas da candidata do PV, Marina Silva.  

 

 

    <hr>                                     <p class="pagina"><strong>Por dentro das campanhas online</strong><br><br>Nos  bastidores da disputa eleitoral de 2010 um personagem surgiu com peso  especial: o coordenador de campanha na internet. Quem trabalha com a  propaganda eleitoral online prepara a estratégia para cada candidato na  internet. O site Exame conversou com os coordenadores das campanhas  online dos três candidatos mais votados nessas eleições e eles avaliaram  suas campanhas na web. <br><br>Segundo Marcelo Branco, coordenador da  campanha de Dilma Rousseff (PT), a estratégia foi apostar numa campanha  voluntária para que os eleitores-internautas fizessem volume nas redes  sociais. "A nossa ideia foi articular o pessoal que já apoiava a Dilma  pela rede. Fizemos uma militância online."</p>

De acordo com Branco, a “militância online” foi fundamental para mobilizar as pessoas para o “debate off-line”. “O pessoal pegou os argumentos e as informações que conseguiam na internet para fazer o debate na rua, onde os votos são decididos”, avaliou

Já para Leandro Arci, coordenador online do PV – e da campanha de Marina Silva – no Rio de Janeiro, a internet deu ferramenta para aquelas pessoas que não puderam ou não quiseram participar da campanha na rua, mas que se sentiam mais à vontade na web. “Nós sempre disponibilizamos os links bem claros e explicações de como propagar as propostas da Marina (Silva, candidata do PT).”

Arci explicou que o principal trabalho foi feito nas redes sociais, e que a web ajudou a compensar o pouco tempo na TV. “Sem contar que a internet vai ao encontro da filosofia do PV de não colocar papel na rua. Ela é uma ferramenta que nos atende muito bem e pega um público legal, multiplicador, formador de opinião”, completou.

Soninha Francine, a responsável pela coordenação da campanha na rede do tucano José Serra, afirmou que a popularidade do candidato no Twitter foi uma grande ajuda. “Quando ele fala no Twitter, a visibilidade é imensa”, disse ela.

De acordo com a vereadora de São Paulo, a web serviu, principalmente, para “unir os apoiadores de Serra do Brasil todo, permitir que falassem diretamente conosco e com o Serra, dando ideias, fazendo denúncias, tirando dúvidas, se fortalecendo e se motivando nessa dura batalha de candidatura de oposição.”

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