Inovação e tradição são marcas dos Jogos de Londres

Londres não passou nenhum tipo de apuro para entregar a tempo os equipamentos previstos, e os principais palcos chegaram a ser entregues com meses de antecedência

Londres – Londres ergueu para os Jogos Olímpicos instalações modernas como o Estádio Olímpico e o Centro Aquático, mas também utilizará sedes tradicionais como o All England Lawn Tennis and Croquet Club (onde acontece o torneio de tênis de Wimbledon) e o Estádio de Wembley.

Ao contrário de outras sedes olímpicas, Londres não passou nenhum tipo de apuro para entregar a tempo os equipamentos previstos, e os principais palcos chegaram a ser entregues com meses de antecedência.

Um dos símbolos de Londres 2012, o Estádio Olímpico, do arquiteto australiano Rob Seard, ficou pronto há mais de um ano, em março de 2011. Além disso, a obra custou 428 milhões de libras (pouco mais de R$ 1,3 bilhão), 12% a menos do que o previsto inicialmente.

Uma estrutura de 10 mil toneladas de aço abriga a pista na qual os atletas desfilarão na abertura dos Jogos e depois uma parte deles disputará as provas de atletismo. Depois do evento, os 80 mil lugares nas arquibancadas serão reduzidos para 55 mil. A intenção é facilitar o uso do recinto futuramente, apesar do destino da instalação ainda não ter sido definido.

O design do estádio, localizado no Parque Olímpico de Stratford, ao leste de Londres, lembra outros dos principais palcos esportivos que já existiam em Londres, cujo desenho também teve participação de Sheard.

O australiano foi um dos responsáveis pelo projeto do novo Wembley, que também tem um arco em aço branco, assim como o teto retrátil da quadra central de Wimbledon e do Emirates Stadium.


Outro dos pontos altos do Parque Olímpico é o Centro Aquático, projeto da anglo-iraquiana Zaha Hadid, primeira mulher que ganhou o Prêmio Pritzker de arquitetura, em 2004. O desenho futurista da instalação impressionou aos britânicos.

Com interior todo branco, o local lembra mais um museu de arte contemporânea do que uma piscina olímpica. Além disso, é outro equipamento que terá capacidade reduzida após os Jogos, de 17,5 mil para 2,5 mil.

O custo do Centro Aquático disparou até os 251 milhões de libras (mais de R$ 794 milhões), contra os 72 milhões de libras (R$ 277 milhões) orçados inicialmente. O Comitê Organizador (Locog) decidiu assumir a despesa extra, do que será um dos espaços mais emblemáticos do evento.

Sem custo adicional, mas com uma carga histórica inquestionável, o Locog organizou a competição de tênis no ‘All England Club’, no sudoeste da capital, localizada no sudoeste de Londres, com capacidade para 15 mil pessoas.

A competição de futebol também será disputada em palcos com grande tradição, como Wembley, em Londres, Old Trafford, em Manchester, Hampden Park, em Glasgow.


O basquete, por sua vez, será disputado no maior recinto temporário que se levantou em Londres. Os 12 mil lugares levantados para a Arena de Basquete, que custaram 40 milhões de libras (mais de R$ 126 milhões), serão totalmente desmontados após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Além disso, o Velódromo, também localizado no Parque Olímpico, é a terceira instalação mais cara erguida para o evento, com custo aproximado de 87 milhões de libras (R$ 275 milhões).

Os Jogos levarão o esporte olímpico também para o centro de Londres, transformando o Hyde Park, parque urbano de 1,4 quilômetro quadrado, inaugurado no século XVII, no palco da competição de triatlo, com os atletas caindo na água do lago Serpentine.

Na The Mall, avenida que liga o Palácio de Buckingham até Trafalgar Square, será o ponto de partida e chegada das provas de ciclismo de estrada, assim como a competição de marcha atlética.

No total, Londres investiu pouco mais de 1 bilhão de libras (pouco mais que R$ 3,3 bilhões) em infraestrutura esportiva, uma pequena parte do custo total dos Jogos, estimado em aproximadamente 11 bilhões de libras (cerca de R$ 34 bilhões).