Indústria de alimentos está ficando para trás em inovação

Outros segmentos, como o de produtos para cuidados pessoais, estão conseguindo receitas maiores que o alimentício para produtos com conteúdo inovador

Apesar de lançar novos produtos a todo instante, a indústria de alimentos e bebidas está perdendo sua capacidade de inovação. O principal indício, de acordo com a revista britânica The Economist, é a queda nas receitas geradas por produtos com conteúdo inovador. Para os especialistas consultados pela publicação, as grandes companhias do setor precisam investir mais em pesquisa e desenvolvimento, além de apurar a percepção do momento de entrar e sair de novos mercados.

Entre 1997 e 2000, um produto realmente inovador poderia gerar vendas de até 150 milhões de dólares, no primeiro ano após o lançamento para a companhia de alimentos ou bebidas que o tivesse criado. Nessa mesma época, o setor de produtos para cuidados pessoais conseguia cerca de 100 milhões de dólares com as vendas de um novo artigo. A partir de 2001, porém, a relação se inverteu. Os fabricantes de alimentos e bebidas vêm obtendo cerca de 120 milhões com as novas mercadorias, contra 150 milhões no setor de cuidados pessoais.

Essa queda de receita sinaliza a perda da capacidade do setor de inovar. Um dos principais desafios para as empresas é encontrar produtos que enfrentem as marcas próprias lançadas pelas grandes redes de varejo, como a Wal-Mart e o Carrefour, segundo John Blasberg, diretor para a América do Norte da consultoria Bain.

Para Blasberg, o setor de alimentos e bebidas industrializadas investe pouco em inovação e está cada vez mais lento para detectar tendências e, sobretudo, saber a hora exata de entrar e sair de novos mercados. A indústria de cuidados pessoais investe cerca de 2,6% de sua receita com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Já a indústria alimentícia e de bebidas aplica 1,6%.