Indústria chinesa avança em tecnologia e gestão

Estudo de instituto americano mostra que a competitividade da China está cada vez mais ligada ao desenvolvimento tecnológico

Os produtos chineses estão deixando de ser sinônimos de marcas baratas e de má qualidade. Cada vez mais, a competitividade da indústria chinesa está ligada ao desenvolvimento tecnológico e ao aprimoramento dos métodos de gestão. E, em uma década, alguns especialistas acreditam que o país ultrapassará o Japão em termos tecnológicos. A conclusão é de uma pesquisa do Manufacturing Perfomance Institute (Mapi), de Cleveland. O estudo comparou as fábricas americanas com as chinesas.

O documento mostra que o país está fazendo a lição de casa em termos de métodos de gestão. A taxa de pontualidade na entrega dos pedidos é de 99%, na indústria da China, enquanto fica em 96% nos Estados Unidos. A taxa de produtos que atingem as especificações técnicas logo na primeira montagem, é de 98% na China e de 97% nas fábricas americanas. Além disso, 53% das empresas chinesas têm oferecido mais de 20 horas de treinamento por ano para seus funcionários, enquanto apenas 35% das companhias americanas oferecem o mesmo número de horas/aula.

Além de melhorar os métodos de gestão, a indústria chinesa está ampliando os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias. No ano passado, o país investiu 18 bilhões de dólares com pesquisas para inovação tecnológica. Há cinco anos, essa cifra era de 8 bilhões.

“Os chineses ainda não têm uma Intel ou uma IBM, mas se esforçam para alcançar uma excelência em termos na indústria de tecnologia”, afirmou Ernest Preeg ao americano The Wall Street Journal. Preeg é um dos pesquisadores do Mapi. Segundo ele, devido à velocidade com que estão se desenvolvendo, os chineses podem ultrapassar o Japão, em termos tecnológicos, dentro de dez anos.

Atualmente, a China responde por 21% da produção mundial de microcomputadores e ainda fabrica mais da metade das câmeras fotográficas e cerca de 30% dos televisores do mundo. O estudo do Mapi ressalta, porém, que parte do avanço tecnológico da China está sendo gerado pelos maciços investimentos de multinacionais no país. Cerca de 57% das exportações chinesas provêm de subsidiárias de empresas estrangeiras instaladas no país (leia reportagem de EXAME sobre a estratégia chinesa para atrair investimentos).

Mas o Mapi destaca também a importância de companhias de capital chinês, como a siderúrgica Baosteel. Há dez anos, a empresa fabricava materiais básicos para construção civil. Agora, acaba de inaugurar um sofisticado equipamento para produção de aços especiais para portas de automóveis que mesmo montadoras ocidentais instaladas há décadas no ramo não possuem. O resultado é que a Volkswagen e a General Motors já manifestaram interessem em comprar o aço da Baosteel.