Índia deve reeleger Modi em eleição que chega ao 35º dia

Índia encerra suas eleições no próximo domingo e deve manter primeiro-ministro no cargo apesar de dúvidas sobre números de PIB e de desemprego

Acusado pela oposição de mascarar as estimativas do Produto Interno Bruno (PIB) bem como os números de desempregados no país, o atual primeiro-ministro indiano, Nerendra Modi, é apontado como favorito para vencer as eleições que terminam neste domingo. O pleito, apelidado de “festival da democracia”, será encerrado no próximo domingo, 19, após uma votação em sete etapas que durou mais de um mês e contou com cerca de 900 milhões de pessoas. O partido de Modi deve continuar liderando o parlamento de 543 representantes pela segunda vez. 

Com Modi, a Índia tem conseguido crescer na casa dos 7% ao ano, superando a China, tradicional campeã em velocidade, que vem crescendo em média 6,5% ao ano. O resultado é o principal trunfo de sua campanha de reeleição. Mas a oposição, liderada pelo maior rival político Rahul Gandhi, acusa Modi de mascarar os reais números do crescimento indiano, e também as cifras do desemprego. Até mesmo a economista-chefe do fundo monetário internacional (FMI), Gita Gopinath, disse que “há questões que ainda precisam ser consertadas” em relação ao cálculo do PIB indiano.

Em dezembro, sob o argumento de que os dados não condiziam com a realidade, o governo indiano resolveu não divulgar uma pesquisa periódica com a taxa de desemprego no país. Na ocasião, o presidente do órgão de supervisão de estatísticas do governo, PC Mohanan, pediu demissão e declarou que as estatísticas estavam sendo usadas como um “instrumento político”. Mesmo com a censura de Modi, os dados acabaram vazando, e o resultado foi o maior índice de desemprego dos últimos 45 anos, com uma taxa 6,5%, número que mostra uma dificuldade em transformar crescimento em benefício concreto para a população.

Embora há algumas semanas as pesquisas indicassem que o alto índice de desemprego poderia tirar o favoritismo de Modi, os recentes conflitos entre a Índia e o Paquistão reascenderam um sentimento nacionalista e parecem ter resgatado a confiança do eleitorado do primeiro ministro.

Em fevereiro, um atentado terrorista a bomba na porção da Caxemira indiana matou 40 policiais do país. A ação foi reivindicada por um grupo paquistanês, e em resposta, a Índia bombardeou o território vizinho (onde supostamente estavam os terroristas), encorpando a escalada de tensão. O contra-ataque,  que ressuscitou um conflito histórico nunca solucionado, agradou a população. O “festival da democracia” deve consagrar Modi no domingo.