Índia compra mísseis russos e esquenta clima na Ásia

Junto com a China, o país asiático tem fortalecido seu poderio bélico justamente para mostrar sua autonomia.

A terra do pacifista Mahatma Gandhi vai formalizar a compra de mísseis S-400 da Rússia, nesta sexta-feira, durante o encontro anual entre os países.

Para consolidar a compra, o presidente russo Vladimir Putin vai se encontrar com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Nova Déli. A compra dos mísseis – considerados como um “sistema antiaéreo modernos que, por suas características, supera sistemas análogos de outros países”-  está estimada em 5 bilhões de dólares.

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Junto com a China, o país asiático tem fortalecido seu poderio bélico justamente para mostrar sua autonomia. Em menos de dez anos, segundo o jornal britânico Financial Times, o poder bélico indiano já bate na casa dos 15 bilhões de dólares. O problema é que os Estados Unidos não veem a “autonomia” indiana com bons olhos.

Para o governo americano, o aumento no investimento militar do país faz com que haja um movimento não tão interessante no lado asiático do Oceano Pacífico. Um episódio emblemático deste descontentamento ocorreu no mês passado, quando o secretário do Estado americano, Mike Pompeu, garantiu que seu país “apoiava o crescimento bélico” da Índia, mas queria assinar um acordo em que as conversas militares poderiam ser ouvidas pelo Exército americano. Após meses de convencimento, a Índia aceitou o acordo, e agora se aproximará mais do país americano. Espera-se que a Índia realize atividades militares com o país no ano que vem.

Mas a Índia está tão próxima dos Estados Unidos quanto da China, da Rússia e do Japão. Em agosto, o país confirmou a restauração das relações militares com a China, e reforçou o seu compromisso na proteção das fronteiras. No mesmo mês, o país confirmou a continuação das manobras navais com o Japão, e também com a Austrália.

Com a compra, o país se torna o terceiro a comprar o mesmo míssil russo. O primeiro foi a China e o segundo, a Turquia. Quem aproveita desta autonomia indiana é a Rússia, que conquista novos parceiros bélicos-econômicos, e ganha dinheiro.