Índia celebra Dia Internacional da Ioga com aulas ao ar livre

O país, de 1,2 bilhão de habitantes, possui um ministério dedicado à ioga e às medicinas tradicionais, como a aiurvédica

Os indianos celebram nesta quarta-feira o dia da ioga, assim como milhões de pessoas em outros países, com aulas ao ar livre. Entre os praticantes se destacava o primeiro-ministro Narendra Modi, que afirmou que esta disciplina permitiu “conectar” a Índia com o mundo.

A cada 21 de junho, a Festa da Música faz as ruas de muitos países vibrarem. Este é também o Dia Internacional da Ioga, que foi decretado pelas Nações Unidas por uma iniciativa do primeiro-ministro indiano e chega a sua terceira edição este ano.

Ao amanhecer, a Connaught Place de Nova Délhi parece uma fortaleza blindada pela polícia. Os participantes, vestidos de branco, passam suas bolsas pelos raios-x montados em caminhões para os controles de segurança.

As pessoas vêm ao local com a família, amigos ou colegas. Comerciantes, professores, políticos, todos pulam da cama cedo para comemorar a data.

Sob os olhares de soldados e em meio à multidão, Abhi Aggarwal, de 24 anos, espera o início da aula. Não é um aluno assíduo, mas não perderia isto por nada no mundo.

“Quando todos juntos, no mesmo momento, realizamos os mesmos movimentos, é algo único”, comenta.

“Mais energia e pensamentos positivos!”, acrescenta sua mãe, Meena. Seu pai ocasionalmente dá aulas de ioga, quando não trabalha. “Uma hora de ioga por dia e Deus cuidará de ti nas 23 restantes”, assegura.

Ministério da Ioga

Para os adeptos, esta disciplina ancestral, que mistura alongamentos musculares com técnicas de relaxamento mental, possui inegáveis virtudes terapêuticas.

Há 40 anos, chova ou faça sol, Vishnudeo Vishwakarma começa o dia com posturas de ioga, às cinco da manhã no parque do seu bairro em Nova Délhi.

“Se você compra uma máquina e não a usa durante um ano, ela deixará de funcionar. Com o corpo é a mesma coisa. Se você não o fizer trabalhar, suas articulações e músculos se oxidarão”, explica esta aposentada de 66 anos.

Desde sua chegada ao poder, em 2014, o nacionalista hindu Narendra Modi tranformou a promoção da cultura ancestral indiana em um eixo da sua política cultural.

O país, de 1,2 bilhão de habitantes, possui um ministério dedicado à ioga e às medicinas tradicionais, como a aiurvédica.

“Hoje a ioga se tornou parte integrante de muitas vidas. A popularidade fora da Índia é grande e conectou o mundo com a Índia”, comemorou o primeiro-ministro em Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh, onde acompanhou a aula, com seu tapete em meio à multidão.

Os críticos de Modi o acusam de ter uma visão unicamente hindu da cultura indiana, em detrimento de outras minorias religiosas.

Mar branco

Em Connaught Place, a sessão de ioga começou com instruções a partir de um alto-falante. “Inspira, expira”, repete sem parar uma voz melodiosa como se fosse um mantra. Ao fundo, escuta-se a música de um sitar.

Durante 45 minutos, um mar de gente vestida de branco se levanta e se agacha, como se formassem ondas. Os principiantes parecem um tanto confusos, enquanto os demais acompanham a aula sincronizados.

Ajoelhado no meio de meditadores impassíveis, um repórter de televisão segura seu microfone e faz uma entrada ao vivo.

“Obrigado a todos, tenham um dia agradável e tranquilo”, conclui a voz. A multidão responde, em um ritual final, com uma risada que invade o espaço. Milhares de pessoas como se fossem um só corpo.