Igreja permanecerá no diálogo apesar de calúnias, diz bispo da Nicarágua

O presidente Ortega criticou a ação da Igreja na mediação dos conflitos entre manifestantes e o governo e chamou os bispos do país de "golpistas"

Os bispos da Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) continuarão a mediar o diálogo nacional apesar da “atitude confrontadora” do governo, que os acusa de golpistas, disse neste domingo o bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez.

“Certamente que chamar ao diálogo neste momento vai ser difícil pela atitude confrontadora que o governo tomou e a linguagem caluniosa contra a igreja”, disse Báez a jornalista após a missa na igreja San Miguel Arcángel de Manágua.

O diálogo entre o governo e uma Aliança Cívica de grupos da sociedade civil, do qual a Igreja é mediadora, se encontra estagnado desde o dia 15 de junho. O objetivo é encontrar uma solução para a crise política, que já deixa 280 mortos em três meses.

O presidente Daniel Ortega, de 72 anos, que enfrenta uma crise política derivada de protestos desde 18 de abril, acusou, na quinta-feira os hierarcas católicos de estarem comprometidos com a oposição em um golpe para tirá-lo do poder.