Ideólogo do Khmer Vermelho condenado por genocídio morre aos 93 anos

Nuon Chea foi um dos principais líderes do Khmer Vermelho, cujo regime causou cerca de dois milhões de mortes

O ideólogo e número dois do regime cambojano do Khmer Vermelho, Nuon Chea, morreu neste domingo aos 93 anos, informou um porta-voz do tribunal que o condenou por genocídio e crimes contra a humanidade.

“Podemos confirmar que o réu Nuon Chea […] morreu na tarde de 4 de agosto de 2019”, disse à AFP o porta-voz Neth Pheaktra, sem dar mais detalhes sobre as causas da morte.

Nuon Chea foi um dos principais líderes do Khmer Vermelho, cujo regime causou cerca de dois milhões de mortes entre 1975 e 1979.

Em 2014, foi condenado à prisão perpétua por “crimes contra a humanidade”, uma pena confirmada em recurso em 2016.

Também foi condenado em 2018 por “genocídio” contra vietnamitas, membros da comunidade étnica Chams e outras minorias religiosas. Essa acusação, por outro lado, não dizia respeito aos massacres contra os próprios integrantes do grupo Khmer, que as Nações Unidas não consideram como genocídio.

Nascido em 7 de julho de 1926 na província de Battambang (noroeste), Nuon Chea estudou direito na prestigiosa universidade de Thammasat em Bangcoc entre 1941 e 1948.

Juntou-se aos jovens do Partido Comunista da Tailândia e depois do Camboja, onde participou da resistência contra o poder colonial francês. Em seguida ajudou aorganizar, com Pol Pot (falecido en 1998), o futuro Partido Comunista do Kampuchea, conhecido com o nome de Khmer Vermelho.

Nuon Chea não foi detido até 2007.