Houthis rejeitam embargo de armas e fazem protestos no Iêmen

Comitê Supremo Revolucionário, máxima instância de poder dos houthis, qualificou de "agressão" a resolução dos países árabes e adotada ontem pela ONU

Sana – O movimento rebelde dos houthis rejeitou nesta quarta-feira o embargo de armas e as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, convocando uma série de protestos populares amanhã no Iêmen contra a resolução.

Em breve comunicado divulgado hoje, o Comitê Supremo Revolucionário, máxima instância de poder dos houthis, qualificou de “agressão” a resolução, promovida pelos países árabes e adotada ontem pela ONU.

“Convocamos o povo iemenita para se manifestar na quinta-feira e condenar a resolução do Conselho de Segurança que respalda a agressão”, disse o comitê em nota, em referência à ofensiva da coalizão árabe contra o movimento.

Apesar dos protestos terem sido marcados para amanhã, dezenas de pessoas já começaram a se reunir em frente à sede da ONU em Sana, como pôde constatar a Agência Efe.

O Conselho de Segurança da ONU ampliou ontem as sanções contra os rebeldes houthis e determinou um embargo de armas, em uma resolução apresentada pela Jordânia em nome dos países árabes e respaldada por todos os membros do órgão, exceto a Rússia, que se absteve.

As novas sanções incluem a proibição de viagens e o bloqueio de ativos ao líder dos rebeldes, Abdul Malik al Houthi, e a Ahmed Saleh, filho do ex-presidente do país.

Os primeiros a comemorarem a resolução foram os sauditas, que lideram a coalizão árabe e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), do qual cinco de seus seis membros participam dos bombardeios contra os houthis.

O CCG definiu a decisão da ONU como “uma mensagem clara e forte de unidade da comunidade internacional em apoio à legitimidade” do presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi.

A coalizão árabe declarou a guerra aos houthis no dia 26 de março para tentar conter avanço dos rebeldes em à cidade de Áden, onde Hadi tinha estabelecido sua sede provisória após fugir de Sana, que caiu nas mãos dos houthis em setembro de 2014.