Homens armados tomam colégio eleitoral em Mariupol

Grupo de homens armados tomou um colégio eleitoral na cidade ucraniana de Mariupol, situada na região insurgente de Donetsk

Kiev – Um grupo de homens armados tomou nesta terça-feira um colégio eleitoral na cidade ucraniana de Mariupol, situada na região insurgente oriental de Donetsk, informou a Comissão Eleitoral Central (CEC) da Ucrânia, país onde as eleições presidenciais serão realizadas no próximo domingo.

Um dos membros da comissão ficou ferido quando tentou enfrentar os rebeldes pró-russos, que assumiram o controle do escritório, informou o porta-voz da CEC Konstantin Jivrenko à imprensa local.

Segundo a fonte, a menos de cinco dias para as eleições, os insurgentes têm bloqueadas as comissões de 11 das 34 circunscrições eleitorais nas regiões rebeldes pró-russas de Donetsk e Lugansk.

Em Donetsk, seis das 22 comissões estão controladas pelos rebeldes, enquanto em Lugansk os insurgentes ocuparam cinco das 12 comissões.

Alguns escritórios foram liberados pelas forças de segurança, mas a ameaça de uma nova ocupação é eminente, afirmou Jivrenko.

O prefeito de Donetsk, Aleksandr Lukianenko, expressou sua intenção de se reunir com os dirigentes da autoproclamada república popular de Donetsk para assegurar a realização das eleições no domingo.

Lukianenko reconheceu que o trabalho de três das cinco comissões de circunscrição eleitoral na cidade se encontra paralisado devido à intervenção dos milicianos.

Em resposta, um dos líderes da república que proclamou a independência no último 12 de maio, Miroslav Rudenko, assegurou que os insurgentes mantêm o boicote às eleições presidenciais.

O governo ucraniano informou que existem municípios rebeldes, como Slaviansk, Kramatorsk e Górlovka, onde os eleitores não acudirão às urnas, uns por própria iniciativa e outros por temor às represálias dos milicianos pró-russos.

“Somos muito conscientes e não enganamos ninguém que no grandioso território que representam as regiões de Donetsk e Lugansk vai ser impossível garantir a realização normal das eleições”, assegurou ontem Arsén Avakov, ministro do Interior da Ucrânia.

Muitos membros dos comitês eleitorais locais nestas regiões se negaram a cumprir com suas obrigações por temer represálias contra eles e suas famílias, lamentou o CEC.

A União Europeia e os EUA consideram cruciais as eleições, a fim de legitimar as autoridades que derrubaram em fevereiro passado o governo do presidente Viktor Yanukovich.

A Rússia, que acusa as atuais autoridades ucranianas de dar um golpe de Estado, qualificou as eleições como “um passo na boa direção”, embora não tenha confirmado se reconhecerá seus resultados.