Holanda aproveita papel higiênico “usado” para construir ciclovia

Buscando extrair valor do esgoto, projeto encontrou uma forma de dar vida nova às toneladas de papel higiênico descartadas no país

São Paulo – Quando você pressiona a descarga do vaso sanitário, provavelmente a última coisa que você pensa é que o papel higiênico usado poderia, um dia, virar uma ciclovia, não é mesmo?

Pois acredite, é o que está acontecendo em um dos paraísos mundiais para ciclistas — a Holanda. Buscando extrair valor do esgoto, um projeto piloto em uma estação de tratamento do país encontrou uma forma de transformar o papel descartado em material para ser usado na construção de ciclovias.

Funciona assim: com ajuda de uma peneira industrial, todas as fibras da celulose que formam o papel higiênico são retiradas das águas residuais, para em seguida serem limpas, esterilizadas e branqueadas.

O resultado é um material macio que pode ser misturado ao asfalto para dar mais permeabilidade ao solo, aumentando a absorção de água da chuva e a durabilidade da pista.

A implementação e acompanhamento do projeto começou no ano passado ao longo de um quilômetro da ciclovia que liga as cidades de Leeuwarden e Stiens e foi concluída em setembro deste ano, segundo o site CityLab. O próximo passo é expandir a investida para todo o país.

Considerando que a Holanda inteira gera toneladas de papel higiênico anualmente, o potencial para reaproveitamento é enorme, principalmente levando-se em conta a necessidade de manutenção dos mais de 30 mil quilômetros de rotas para bikes no país.

Por trás da empreitada estão as empresas holandesas CirTec, Esha Infra Solutions e a KNN Cellulose.

“A Holanda usa quase 180 mil toneladas de papel higiênico a cada ano, e sua preferência por papel higiênico de luxo confere ao esgoto alto potencial econômico para se retirar a celulose que é de qualidade superior”, disse ao The Guardian Carlijn Lahaye, diretor da CirTec.

A celulose aproveitada a partir de resíduos, seja do esgoto ou lixo seco, é chamada de terciária, já que a madeira é a fonte primária e o papel é a secundária.

No método convencional de tratamento de esgoto, após a filtragem, as fibras de celulose seguiriam juntamente com a lama residual para incineração, sem nenhum tipo de aproveitamento. Com a investida, o papel higiênico usado ganha vida nova e apelo comercial.