Há tempo para mais reviravoltas?

Dentro de 48 horas, o mundo vai saber que é o próximo presidente dos Estados Unidos. Os candidatos são mais que conhecidos – a impopular democrata Hillary Clinton, e o explosivo republicano Donald Trump. Ontem, uma nova carta do diretor do FBI, James Comey, pode trazer nova reviravolta para a disputa. Ele afirmou ao Congresso que a nova investigação sobre os emails de Hillary não trouxe evidências que justifiquem um processo. O caso havia sido encerrado em julho, e reaberto dia 28.

Resta saber se a decisão vem a tempo de impactar as urnas. Segundo o site de análises Fivethirtyeight, a chance de a democrata vencer o pleito caíram de 81% para 67% desde a reabertura do inquérito. Nos votos do colégio eleitoral, que são os que de fato importam, Hillary deve levar 294 votos, e Trump, 243 – são necessário 270 para vencer. “Qualquer mudança vem tarde demais para ser detectada pelos institutos de pesquisa”, escreveu Nate Silver, fundador do Fivethirtyeight e habituado a prever os resultados com exatidão. Ou seja: as chances de surpresa nas urnas são maiores do que nunca.

Ontem, Trump começou o dia elogiando a postura corajosa do FBI mas, após ser informado da nova carta, repetiu a cantilena: o sistema é corrupto e age para favorecer Hillary. O republicano esteve em cinco estados no domingo. O republicano vai usar esta segunda-feira, seu último dia de campanha para visitar os estados da Carolina do Norte, Pensilvânia, Michigan, Flórida e New Hampshire, todos com resultados ainda incertos e que podem decidir a eleição.

Hillary usa suas últimas horas para correr atrás de votos negros e hispânicos. Ontem, ela fez campanha ao lado da estrela do basquete LeBron James, em Cleveland, Ohio, um estado chave. Ontem, o New York Times revelou que eleitores hispânicos podem ter votação recorde e ser decisivos para a democrata. Hoje, ela passa pela Carolina do Norte e por Michigan antes de se reunir com Barack e Michelle Obama na Filadélfia. A democrata ainda torce, veja só, para perder votos em Utah, onde Evan McCullin tem chances reais de vencer – para isso, porém, precisa que os democratas optem pelo voto útil com a intenção de evitar que Trump chegue à Casa Branca. Nesta reta final, cada detalhe conta.