Há 27 anos, o nome da Macedônia é um problema para o país. Entenda

Polêmica que já dura 27 anos e que levou a Grécia a vetar a entrada da Macedônia na Otan e na União Europeia. 

São Paulo – O presidente macedônio, Gjorge Ivanov, e o líder do principal partido da oposição, o conservador VMRO-DPMNE, se opuseram nesta terça-feira ao acordo feito pelos primeiros-ministros de Grécia e Macedônia para dar fim ao litígio sobre o nome da ex-república iugoslava.

Ivanov acusou o primeiro-ministro, Zoran Zaev, de negociar de maneira irresponsável com o grego Alexis Tsipras e enfatizou que se recusa a revisar a Constituição para a mudança do nome constitucional do país, que, segundo o acordo, passaria a se chamar Macedônia do Norte.

“É um tema extremamente importante para os cidadãos da República da Macedônia e não é possível que seja resolvido por telefone em um acordo pessoal entre os dois primeiros-ministros”, afirmou o presidente.

De acordo com Ivanov, um acordo assim precisa de um amplo consenso nacional para que “não viole a dignidade dos cidadãos”. No papel de presidente, ele tem que assinar todas as leis, por isso que a sua oposição ao acordo é especialmente problemática devido aos atrasos que pode provocar.

O presidente macedônio admitiu que fazer parte da Otan e da União Europeia são objetivos estratégicos que podem ser alcançados sem renunciar ao nome constitucional. A Grécia vetou a entrada da Macedônia às duas organizações.

O principal líder da oposição macedônia, o conservador Hristijan Mickoski, acusou o primeiro-ministro do país de “traição” ao “aceitar todas as exigências gregas” e solicitou a convocação de eleições antecipadas de maneira imediata.

Mickoski exigiu que o referendo sobre o acordo seja vinculativo e não de caráter consultivo e prometeu que votará contra. O VMRO-DPMNE se manifestou contra a modificação da Constituição para eliminar o nome constitucional do país, até agora chamado de República da Macedônia.

O primeiro-ministro da Macedônia, Zoran Zaev, e o da Grécia, Alexis Tsipras, decidiram por telefone nesta terça-feira que o país passará a se chamar Macedônia do Norte.

O acordo pretende colocar um ponto final a uma longa polêmica que já dura 27 anos.

Negociação

No entanto, este acordo que põe fim a 27 anos de disputa político-semântica ainda não é definitivo: precisaria ser aprovado no Parlamento macedônio e submetido a referendo antes de ser ratificado pelo Parlamento grego.

Na Grécia, o país será reconhecido como Severna Makedonja, ou seja, República da Macedônia do Norte em idioma macedônio, informou Tsipras em mensagem na televisão grega.

Este novo nome “faz uma clara distinção entre a Macedônia grega”, nome de uma província no norte do país, “e o de nossos vizinhos do norte”, comemorou.

É “uma grande vitória diplomática e uma grande oportunidade histórica” para a região, que “abre uma janela de amizade, de cooperação e de desenvolvimento conjunto”, defendeu em sua mensagem manifestamente dirigida à opinião pública grega, na qual ainda há forte oposição a um acordo.

A Grécia conseguiu, destacou Tsipras, que seus vizinhos renunciem a reivindicar qualquer relação com a cultura grega antiga da Macedônia, encarnada na figura de Alexandre, o Grande, de cuja herança os gregos reivindicam a exclusividade.

O acordo estabelece, assim, que o idioma do país vizinho, embora continue sendo denominado macedônio, “pertence à família das línguas eslavas do sul”.

Histórico

Desde a independência da ex-república iugoslava em 1991, a questão do nome da Macedônia tem sido um tema de intensos debates dos dois lados da fronteira, atiçado com regularidade segundo o maior ou menor nacionalismo dos respectivos governos.

A Grécia não tolerava que a vizinha adotasse o nome de sua província e se atribuísse o esplendor e as proezas de dois grandes reis da Macedônia antiga, Filipe II e seu filho, Alexandre, o Grande.

Consequentemente, Atenas só reconhecia oficialmente a Antiga República Iugoslava da Macedônia por este acrônimo, ARIM, assim como Berlim ou Paris, enquanto mais de 140 países, inclusive Rússia, Estados Unidos, China e Reino Unido, haviam aceitado “Macedônia”.