Guatemala: População resiste em abandonar buscas por desaparecidos

De acordo com dados oficiais, 197 pessoas não foram localizadas após erupção do Vulcão de Fogo, há 11 dias

Moradores apoiados por socorristas voltaram nesta quinta-feira (14) à região devastada pela erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala há 11 dias, em busca das 197 pessoas que continuam desaparecidas após o desastre que deixou 110 mortos.

“Hoje (quinta-feira) continuam as ações (de localização e resgate de desaparecidos) no lugar”, disse a jornalistas o porta-voz da Coordenadora Nacional para a Redução de Desastres (Conred), David de León.

Os socorristas retornaram à chamada “zona zero” depois que, na tarde de quarta-feira, suspenderam os trabalhos devido às fortes chuvas que atingem essa região, acrescentou o porta-voz da Conred, entidade a cargo da Defesa Civil neste país.

A busca tem sido intermitente na comunidade San Miguel Los Lotes, porque o vulcão continua ativo e as chuvas provocaram novos deslizamentos que aumentam o perigo no local.

Os vizinhos sobreviventes mantêm a busca das vítimas apesar das advertências do risco pela instabilidade do lugar, e têm cavado para entrar em suas casas sepultadas por fluxos piroclásticos, apoiados por maquinaria emprestada por empresas privadas.

Depois da tragédia de 3 de junho, as autoridades ainda não declaram a região afetada como inabitável e campo-santo, medida que implica suspender definitivamente a busca pelos desaparecidos.

Dados da Conred indicam que 3.617 pessoas continuam em abrigos improvisados e em salões comunais pela catástrofe.

O presidente Jimmy Morales disse que a recuperação da área custará 80 milhões de dólares, enquanto o ministro das Finanças, Julio Héctor Estrada, declarou que em novembro o país solicitará ao Banco Mundial um empréstimo por catástrofes, mas sem detalhar o montante.

O chefe de Estado disse na noite de quarta-feira que nas próximas três semanas construirão 250 casas temporárias em uma propriedade estatal na cidade de Escuintla, onde depois farão um projeto permanente de cerca de mil casas.

O Instituto de Sismologia indicou em um relatório que o colosso registra entre 7 e 9 explosões fracas e moderadas diárias que expelem cinza a mil metros sobre a cratera e provocam avalanches de terra e sedimento vulcânico.