Guarda nazista é condenado em Munique a 5 anos prisão

O ucraniano John Demjanjuk, de 91 anos, foi condenado a cinco anos de prisão por cumplicidade na morte de 28 mil judeus em um campo de extermínio nazista

Berlim – O Tribunal de Munique condenou nesta quinta-feira a cinco anos de prisão o ucraniano John Demjanjuk, de 91 anos, por cumplicidade na morte de 28 mil judeus no campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia ocupada, onde foi guarda voluntário.

A sentença ocorreu exatamente dois anos depois da entrega à Alemanha de Demjanjuk, a partir dos Estados Unidos onde vivia desde os anos 50, e após um ano e meio de processo ao que o réu assistiu em uma cadeira de rodas.

Demjanjuk, quem em 1988 foi condenado a morrer na forca em Israel como suposto “Ivan, o Terrível” do campo nazista de Treblinka – sentença revogada cinco anos depois ao ficar provado que essa identidade correspondia a outro ucraniano -, foi declarado culpado de cumplicidade no Holocausto.

A condenação ditada fica um ano abaixo dos seis anos pedidos pela acusação. A defesa pedia sua absolvição por considerar que Demjanjuk não foi responsável pelos crimes do nazismo, mas, sim, mais uma vítima.

Nascido na Ucrânia em 1920, Demjanjuk foi capturado como soldado soviético em 1942 pelos nazistas, que o transformaram em “Trawniki” ou guarda voluntário de Sobibor, concebido exclusivamente como campo de extermínio e onde eram mortos judeus deportados a partir de toda a Europa na câmara de gás, horas após sua chegada.

A investigação em Munique foi aberta em 30 de novembro de 2009. O processo foi marcado pela ausência de testemunhas que não conseguiram identificá-lo, já que quase não há sobreviventes de Sobibor, e baseado na folha de serviços com o número 1393, segundo a qual Iwan Demjanjuk – seu nome de batismo antes de emigrar para os EUA – foi um dos 120 “Trawniki” do campo.

O processado serviu em Sobibor entre março e setembro de 1943, ano em que o campo foi desmantelado.

A defesa argumentava que ele foi obrigado a servir aos nazistas, já que negar-se ao trabalho equivalia à execução, e lembrou que ao longo do julgamento que vários oficiais das SS encarregados de darem ordens a ele todos foram absolvidos pela justiça alemã em 1966.

O acusado assistiu ao processo em uma cadeira de rodas, sem pronunciar uma palavra a mais que através de seu intérprete, geralmente para expressar mal-estar físico.

Demjanjuk estava em prisão preventiva desde sua chegada à Alemanha e, de acordo com as orientações médicas, seu julgamento ocorreu com o máximo de duas audiências por semana – em atenção a seu estado físico e idade.