Grupos pedem união dos jihadistas contra coalizão dos EUA

Grupos ligados à Al Qaeda pediram aos jihadistas uma união contra a coalizão liderada pelos EUA, criada para combater o Estado Islâmico

Dubai – Os braços magrebino (AQMI, Al Qaeda no Magreb Islâmico) e iemenita (AQPA, Al Qaeda na Península Arábica) da Al Qaeda pediram aos jihadistas do Iraque e da Síria uma união contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o grupo Estado Islâmico (EI).

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, os dois grupos apelam aos “irmão mujahedines no Iraque e no Levante que parem de matar uns aos outros e unam-se contra a campanha dos Estados Unidos e de sua coalizão diabólica”.

O apelo se refere às divergências entre o EI, que se distanciou da Al Qaeda e proclamou um califado (Estado Islâmico) sobre as áreas que controla no Iraque e na Síria, e a Frente Al-Nosra, o braço sírio da Al Qaeda, que continua fiel ao líder desta organização, Ayman Al-Zawahiri.

“Façam de sua rejeição à descrença um fator de união”, acrescentam as duas organizações aos grupos jihadistas.

A Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) e a Al Qaeda na Península Arábica (AQPA – fusão dos ramos da organização na Arábia Saudita e no Iêmen) são leais a Al-Zawahiri, que é muito crítico ao EI.

Este apelo também se dirige à oposição síria moderada que busca derrubar o presidente Bashar al-Assad e é apoiada pelos Estados Unidos e seus aliados árabes.

AQMI e AQPA convidam em seu comunicado “todos aqueles que pegaram em armas contra o tirano Bashar e suas milícias a não serem enganados pelos Estados Unidos”.

Os dois ramos solicitam ainda aos sunitas do Iraque e da Síria para que “não esqueçam os crimes dos Estados Unidos (…) e não façam parte da coalizão”.

Os Estados Unidos, que já realizaram vários ataques aéreos contra os jihadistas do EI no Iraque, pretendem formar uma ampla coalizão envolvendo países árabes para “aniquilar” os jihadistas.

De modo mais geral, os dois ramos estimulam os muçulmanos, especialmente aqueles na Península Arábica, a “impedir que seus soldados participem da guerra contra os jihadistas do EI”.

Eles convocam estes muçulmanos a “levantar-se contra os seus governos”, que eles descrevem como “agentes do Ocidente”.

À coalizão anti-EI, os dois ramos da Al Qaeda “prometem dias negros”, uma ameaça velada de ações violentas contra o Ocidente e seus aliados árabes.