Gregos vão às urnas em legislativas cruciais para o país

Favorito é o partido Syriza, contrário à austeridade, com vantagem de 2,9 a 6,7 pontos percentuais em relação ao conservador ND nas pesquisas eleitorais

As assembleias de voto abriram neste domingo na Grécia para eleições legislativas cruciais, que tem como favorito o partido Syriza, contrário à austeridade.

Um total de 9,8 milhões de eleitores podem votar até às 17h00 GMT (15h00 de Brasília) para eleger 300 deputados. A abertura das urnas ocorreu às 05h00 GMT (3h00 de Brasília).

O Syriza, liderado pelo eurodeputado Alexis Tsipras, de 40 anos, lidera as pesquisas, com uma vantagem de 2,9 a 6,7 pontos percentuais em relação ao conservador Nova Democracia (ND), do primeiro-ministro Antonis Samaras.

Os observadores acreditam na vitória certa do Syriza, restando apenas como dúvida se alcançará a maioria absoluta ou terá que buscar aliados para formar um governo.

Durante a campanha, Tsipras prometeu aumentar o salário mínimo, suprimir certos impostos para os mais pobres e negociar a dívida externa da Grécia, que soma 300 bilhões de euros, o que representa 175% do PIB.

Alexis Tsipras também declarou que não se considera vinculado às exigências da troika de credores – União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) – que, em troca de ajuda financeira, impôs um plano drástico de austeridade econômica.

Já Antonis Samaras defendeu a política de austeridade, argumentando que era a única maneira possível de salvar o país e advertiu contra o perigo de uma vitória do Syriza, que poderia, segundo ele, destruir os esforços feitos pelos gregos.

Em troca de um empréstimo de 240 bilhões de euros, a troika impôs um plano de austeridade que teve consequências graves para parte da população.

As medidas adotadas incluem uma queda significativa dos salários, em alguns casos pela metade, e um aumento dramático do desemprego, que atualmente é de mais de 25% da força de trabalho.

O discurso de Samaras tem dado frutos entre seus adeptos.

No entanto, à luz das pesquisas, são mais numerosos aqueles que preferem ouvir Tsipras quando ele diz que, se vencer, a troika acabará.

Os eleitores de Nea Smyrni, no sul de Atenas, expressam as dúvidas de muitos gregos no momento da votação.

Anna, uma professora aposentada de 65 anos, disse que votaria em Nova Democracia porque Syriza “é assustador”.

Por sua vez, Elli, um estudante de 20 anos, votou no Syriza na esperança de “melhorar a situação” na Grécia e na Europa.

A eleição grega também dá esperanças aos partidos da esquerda radical na Europa, especialmente na Espanha, onde o partido Podemos, surgido a partir do movimento Occupy, tem crescido.

Os países da União Europeia têm, aparentemente, se resignado a uma vitória da esquerda.

“O povo grego escolherá livremente e de forma independente o caminho a percorrer. Eu tenho certeza que vamos encontrar soluções com calma”, declarou a chanceler alemã, Angela Merkel, mal vista na Grécia por sua política em favor da austeridade.

O Syriza espera garantir uma maioria absoluta no novo Parlamento, com 151 de um total de 300, graças aos mais de 50 lugares atribuídos ao partido mais votado.

Para atingir a meta, precisa de pelo menos 36% dos votos e que 12% dos votos se dividam entre os pequenos partidos que não alcancem o mínimo de 3% necessário para participar da distribuição de assentos.

Se não conquistar uma maioria absoluta, Tsipras terá que formar uma aliança.

Como possível aliado figura o To Potami (O Rio), fundado há apenas um ano, que pretende ser o terceiro partido da Grécia. Pesquisas atribuem a ele 6% dos votos.

Outro partido que aspira um terceiro lugar é a formação neonazista Amanhecer Dourado.

Apesar de ter sete deputados e dezenas de seus membros presos sob a acusação de “pertencer a uma organização criminosa”, o Amanhecer Dourado mantém uma alta intenção de voto.

Em caso de fracasso na formação de um governo, os gregos terão de votar novamente em março.