Grécia fica em último lugar da UE em índice de corrupção

Índice mostra que outros países em dificuldades da zona do euro também foram mal no ranking, como Itália, que ficou atrás da Romênia

Berlim – A Grécia teve o pior resultado entre todos os 27 países da União Europeia em um ranking global da percepção de corrupção no setor público, atrás da ex-comunista Bulgária, em consequência do aumento da insatisfação popular por causa da crise econômica no país.

O índice, publicado nesta quarta-feira pela entidade Transparência Internacional (TI), mostra que outros países em dificuldades da zona do euro também foram mal, como é o caso da Itália, que ficou atrás da Romênia.

Ao divulgar o índice anual, a TI, com sede em Berlim, disse que governos da Europa e de outras regiões deveriam se empenhar mais em agir contra a corrupção em áreas como concorrências públicas, financiamento de partidos políticos e evasão tributária.

“Os resultados da pesquisa deveriam ser um alerta para a UE para solicitar mais informação e responsabilidade dos seus Estados membro”, disse Jana Mittermaier, analistas da TI para a UE, acrescentando que isso deveria valer para os atuais esforços de criação de um mecanismo europeu de supervisão bancária.

Judiciários fracos ou ineficientes, maus serviços públicos de auditoria e relações íntimas demais entre governos e empresas contribuem para a percepção de corrupção em alguns países europeus, segundo ela.

O índice da TI, que neste ano inclui 176 países, mede apenas a percepção de corrupção, e não as irregularidades propriamente ditas, devido à dificuldade em quantificar essas atividades ilegais.


A Grécia ficou em 94ª lugar, atrás de democracias mais pobres e mais jovens, como a Bulgária e a Romênia. A Itália ficou em 72º, logo à frente da Bulgária (75o), mas atrás da Romênia (66o). O Brasil foi o 69º no ranking.

No índice de 2011, a Grécia estava em 80o, e a Bulgária era a lanterninha da UE, em 86o.

Os gregos há muito tempo se queixam da corrupção, mas a indignação cresceu, especialmente com relação às evasões tributárias dos mais ricos, enquanto o governo adotou dolorosas medidas de austeridade exigidas por credores internacionais.

Portugal e Irlanda, que como a Grécia receberam resgates da zona do euro, ficaram em 33o e 25o lugares, respectivamente.

A TI alertou que o ranking de 2012 não reflete inteiramente fatos recentes, como o advento de um governo reformista na Itália, porque parte das pesquisas que resultam no índice datam de mais de um ano atrás.

A entidade disse ainda que existe um reconhecimento mais forte da opinião pública mundial, inclusive em grandes economias emergentes, como China e Brasil, sobre os custos da corrupção, e uma crescente recusa em aceitá-los como um fato inevitável.

Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia aparecem na pesquisa como os países menos corruptos. Somália, Coreia do Norte e Afeganistão dividem o último lugar.

Entre as grandes economias globais, os EUA passaram do 24o para o 19o lugar, a Alemanha foi de 14o para 13o, Japão e Grã-Bretanha empataram em 7o, e a França melhorou da 25a para a 22a colocação.