Governo e guerrilha fazem trégua em Mianmar

O pacto alcançado esta semana contempla o estabelecimento de um escritório em Mine Nawng para supervisionar o cumprimento da trégua

Bangcoc – O governo de Mianmar e uma guerrilha étnica que combate no estado de Shan (leste do país) acertaram um cessar-fogo que entrará em vigor na semana que vem e que permitirá a cerca de 10 mil deslocados retornar para suas casas.

Segundo informou nesta quinta-feira a imprensa birmanesa, o Partido Progressista do Estado de Shan/Exército do Norte do Estado de Shan (SSPP/SSA-N, na sigla em inglês) se comprometeu a se retirar da região que disputa com os soldados do Governo desde outubro.

As Forças Armadas birmanesas, por sua vez, sairão da citada área que compreende as localidades de Kyethi, Wan Hai, Tang Yang, Mine Shu e Mine Naung, de acordo com os dados do jornal “Mianmar Times”.

O pacto alcançado esta semana contempla o estabelecimento de um escritório em Mine Nawng para supervisionar o cumprimento da trégua, assim como que ambas as partes colaborem em facilitar o retorno dos 10 mil deslocados e em reabrir 17 colégios fechados pelo conflito.

O governo birmanês assinou no dia 15 de outubro um armistício com oito guerrilhas étnicas, primeiro passo para o início de um processo formal de negociações de paz.

Sete organizações armadas, entre elas o SSPP/SSA-N, que conta com cerca de 4.000 combatentes, rejeitaram o acordo e outras seis nem sequer foram convidadas pelas autoridades para as negociações.

Uma maior autonomia é a reivindicação principal de quase todas as minorias étnicas birmanesas, incluindo shan, karen, rakain, mon, chin, kayah e kachin, e que representam mais de 30% dos 51 milhões de habitantes do país.

A última junta militar de Mianmar se dissolveu em 2011 após confiar o país a um governo civil, quando começou um processo de mudanças políticas, econômicas e sociais que incluía a paz com as minorias étnicas.

O país vive uma etapa de transição na qual os governantes atuais, apoiados pelos militares, terão que entregar o poder ao movimento democrático dirigido pela nobel da paz Aung San Suu Kyi, que ganhou com uma arrasadora maioria as eleições do dia 8 de novembro passado.