Governo da Coreia do Sul quer renúncia de presidente em abril

Se a presidente sul-coreana renunciar em abril, como quer a oposição, as eleições serão antecipadas para junho

Seul – O partido governante da Coreia do Sul propôs nesta quinta-feira formalizar em abril do próximo ano a renúncia da presidente Park Geun-hye, envolvida em um grande escândalo de corrupção e tráfico de influência, fato que anteciparia as eleições para junho.

A proposta dos 128 deputados do Partido Saenuri acontece depois que a presidente anunciou ontem que deixa seu cargo nas mãos do parlamento, pedindo para organizar o calendário, procedimentos legais para sua renúncia e a transferência do poder.

Enquanto isso, os três partidos opositores preparam uma moção no parlamento para realizar um processo de impeachment da chefe de Estado, enfraquecida politicamente pelo famoso escândalo da “Rasputina coreana”.

A oposição planejava apresentar a moção amanhã, mas necessita os votos de dois terços da Câmara dos Deputados, o que exigira o apoio de pelo menos 28 deputados do partido governante Saenuri.

Isso, no entanto, é no debate interno e parte de seus deputados, depois de virar as costas para Park e estavam favoráveis ao “impeachment”, parecem optar agora pela possibilidade da renúncia em abril, para evitar que a transição aconteça de maneira precipitada.

Desta forma, o Partido Democrático, principal força da oposição, anunciou hoje que adiará a moção para semana que vem, uma vez que os legisladores do partido de Park têm uma posição clara sobre o assunto.

Se Park Geun-hye renunciar em abril, no mês de junho seriam realizadas as primeiras eleições presidenciais antecipadas, nas quase três décadas de democracia na Coreia do Sul.

Enquanto isso, uma pesquisa divulgada hoje revelou que mais de 75% dos sul-coreanos estão a favor do “impeachment” da presidente, em que os promotores a apontam como “cúmplice” de sua amiga íntima Choi Soon-sil em uma série de supostos crimes e atos irregulares.