Governo cede e escolas serão fechadas no Reino Unido

O cancelamento das aulas foi determinado depois de o governo de Boris Johnson mudar de postura em relação ao novo coronavírus

Depois de dizer que não via argumento para fechar as escolas para tentar frear a propagação do novo coronavírus, o governo do Reino Unido voltou atrás e determinou o cancelamento das aulas em todo o país. A partir desta sexta-feira, 20, todas as escolas, faculdades e creches começam a fechar as portas. A medida é por tempo indeterminado.

A epidemia do novo coronavírus era tratada com tranquilidade pelo conservador Boris Johnson até o final da semana passada. Na época, autoridades acreditavam ser possível lutar contra a covid-19, doença causada pela nova cepa do coronavírus, apenas apostando na conscientização da população e por meio de hábitos de higiene básicos.

Depois de críticas de que o governo não estava levando a epidemia a sério, principalmente quando comparado com outros países europeus, a realidade dos fatos fez com que mudasse de postura.

Desde o fim de semana, o Reino Unido passou a constar entre os dez países mais afetados pela epidemia. No momento, o país está com 2.716 casos confirmados e 138 mortes. Além disso, países europeus e, portanto, próximos do território britânico, entraram em colapso em razão da rápida contaminação de milhares de pessoas. A Itália, que agora registra mais mortes que a China, epicentro do novo coronavírus, foi um deles.

Apesar do panorama dramático no cenário global, Boris Johnson ainda assim demorou para anunciar o fechamento das escolas e só o fez depois do apelo de autoridades científicas, como o editor-chefe da consagrada revista científica The Lancet. “O que está acontecendo na Itália é real e está acontecendo agora. Nosso governo não está nos preparando para essa realidade. Precisamos de medidas imediatas e assertivas”, escreveu Richard Horton, no Twitter.

Agora, o governo conservador enfim acelerou o passo. Há até um plano, ainda não confirmado oficialmente, mas revelado pelo jornal britânico The Guardian, de isolar a capital Londres, cidade que registra o maior número de casos do novo coronavírus. Considerando a rapidez da evolução da doença na Itália e a morosidade dos britânicos em se mexer para evitar uma catástrofe, fica a dúvida se as medidas implementadas agora serão eficientes. Talvez já seja tarde demais.