Governo argentino questiona protesto em apoio a juiz

Magistrados e advogados se manifestaram os tribunais de Buenos Aires em apoio ao juiz da Suprema Corte, Carlos Fayt, de 97 anos, questionado pelo governo

Buenos Aires – Magistrados e advogados próximos a “Será justiça”, uma associação crítica ao governo argentino, se manifestaram nesta quarta-feira nos tribunais de Buenos Aires em apoio ao juiz da Suprema Corte, Carlos Fayt, de 97 anos, questionado pelo Executivo sobre sua capacidade para continuar exercendo o cargo.

Com o lema “Todos somos Fayt”, centenas de pessoas se concentraram nas escadarias do Palacio de Tribunales para demonstrar sua oposição ao “processo investigativo” aberto pelo parlamento para verificar o estado da saúde mental e física do magistrado nonagenário.

“É uma manobra, sempre quiseram cercear o Poder Judiciário, mas não conseguiram. Nós juízes resistimos e defendemos a independência”, disse à Agência Efe o presidente da Associação de Magistrados, Ricardo Recondo, ressaltando que “estão buscando qualquer manobra para que o Poder Judiciário deixe de ser um poder”.

O protesto, na qual se escutaram duras críticas contra o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, contou com cartazes em apoio a Fayt e em lembrança do falecido promotor Alberto Nisman, que morreu no último mês de janeiro, quatro dias após denunciar a governante por suposto acobertamento de terroristas.

“Se o doutor Fayt se encontra ou não em condições de exercer suas funções, quem tem que decidir é o próprio Fayt e a Corte”, afirmou à Efe o advogado e ex-deputado da União Cívica Radical, Ricardo Gil Lavedra.

“É inadmissível a interferência do Poder Legislativo em uma clara fustigação que tem, como único propósito, tentar obter a renúncia de Fayt”, ressaltou Gil.

Por sua vez, o Executivo insiste que Fayt demonstrou sua “idoneidade” em sua longa trajetória, mas que é necessário confirmar se mantém suas capacidades.

O juiz “é um homem de uma idoneidade insolente”, disse hoje o chefe de gabinete de Cristina, Aníbal Fernández, salientando que talvez o magistrado “tenha perdido essa idoneidade”.