GM, Ford e Chrysler fecham acordo com sindicato

Trabalhadores concordaram em adiar pagamentos ao plano de saúde e suspender ajuda a funcionários demitidos

As montadoras americanas General Motors, Ford e Chrysler conseguiram o apoio do sindicato dos trabalhadores das montadoras (United Auto Workers, em inglês) para adiar o pagamento de contribuições ao plano de saúde dos trabalhadores e suspender um programa de ajuda em dinheiro a trabalhadores demitidos. O acordo com o sindicato é importante porque representantes das empresas vão ao Congresso americano nesta quinta-feira tentar convencer deputados e senadores a aprovar um plano de ajuda de 34 bilhões de dólares.

O governo Bush já informou que só haverá ajuda se as montadoras apresentarem um plano de reestruturação. Os congressistas também condicionam a aprovação a medidas que demonstrem que as empresas podem ser economicamente viáveis. O presidente eleito, Barack Obama, é favorável à ajuda, mas Chrysler e GM dizem que não terão caixa suficiente para sobreviver até janeiro, quando o novo mandatário toma posse. O acordo alcançado nesta quarta-feira foi elogiado por Obama. O sindicato tem mais de 450 mil associados – e não foi fácil conseguir o apoio necessário para as medidas.

O pacote de 34 bilhões de dólares pedido pelas montadoras nesta quarta ao Congresso supera o anterior, de 25 bilhões de dólares, que não foi aprovado em novembro. A GM é a que requisitou o maior empréstimo – 18 bilhões -, seguida pela Ford, que pediu 9 bilhões, e pela Chrysler, com 7 bilhões. A GM disse que necessita de uma injeção imediata de 4 bilhões de dólares para manter as operações até o final do ano. Além dos recursos solicitados ao Congresso, a Chrysler e a Ford também pediram empréstimos do Departamento de Energia para apoiar o desenvolvimento de carros mais eficientes no consumo de combustíveis. A Chrysler solicitou ao departamento 6 bilhões de dólares, e a Ford, 5 bilhões. As três gigantes do setor automotivo se comprometeram a acelerar o lançamento de veículos de alta tecnologia e mais econômicos.

A apresentação do plano de recuperação das empresas ocorre quando parte dos congressistas americanos já cogita a possibilidade de deixar as empresas pedirem concordata, o que significa que passariam a operar sob a proteção do Capítulo 11 da lei de falências do país. Sob essas regras, as montadoras sofreriam uma reestruturação, como na lei de recuperação judicial brasileira. Nos últimos dias, os parlamentares discutiram com especialistas o que poderia ser feito neste cenário. Uma das idéias é que o governo americano criasse um fundo de 40 bilhões de dólares para a reorganização da GM e da Chrysler – vistas como as mais ameaçadas de bancarrota. Ambas descartaram a opção de recorrer ao Capítulo 11.

As montadoras divulgaram seus planos de reestruturação em meio a mais uma batelada de más notícias para o setor. As vendas de veículos novos, nos Estados Unidos, caíram 37% em novembro, para 746.789 unidades. É a primeira vez em várias décadas que o total mensal de vendas fica abaixo das 800.000 unidades. O desempenho anualizado indica um total de 10,18 milhões de unidades comercializadas, menos que os 10,8 milhões anualizados de outubro. As vendas da GM recuaram 41%; as da Ford, 30%; e as da Chrysler, 47%. O desempenho das montadoras japonesas no país também não foi melhor. A Toyota recuou 34% e a Honda, 31%.

Das três montadoras americanas, a Ford é a que aparentou menos urgência na obtenção de recursos. Em sua apresentação, a empresa afirmou que não necessita dos recursos federais imediatamente, mas solicitou os 9 bilhões de dólares em linha de crédito de baixo custo para ser usada no caso de a recessão americana se prolongar. A montadora estima que voltará a ter lucros em 2011. A empresa também enfatizou que vai acelerar o desenvolvimento de carros híbridos e movidos a bateria elétrica, cortar o número de distribuidores e reestruturar suas plantas para produzir veículos menores e mais rentáveis.