Glencore exige compensação por nacionalização boliviana

O governo de Evo Morales assumiu o controle das operações de Colquiri, após violentos protestos

Londres – O grupo suíço Glencore anunciou nesta sexta-feira que buscará compensações pela nacionalização da mina Colquiri de exploração de estanho e zinco, na Bolívia.

O governo esquerdista boliviano, liderado por Evo Morales, assumiu o controle das operações de Colquiri na quarta-feira, após semanas de violentos protestos.

Morales, que já nacionalizou os setores de eletricidade e gás natural do país andino, disse que o decreto devolve a Sinchi Wayra, propriedade da Glencore desde 2005, para as mãos do Estado.

Com a nacionalização, é resolvida a disputa entre trabalhadores e mineradores independentes, que já deixou 18 pessoas feridas.

Na sexta-feira, a Glencore disse que entregaria o controle da empresa de maneira organizada, mas que condenava as decisões do governo.

“A Glencore protesta fortemente contra a medidas tomadas pelo governo da Bolívia, e se reserva o direito de buscar uma compensação justa, de acordo com todos os recursos disponíveis, internacionais e domésticos”, disse a companhia em um comunicado.

Dominic O’Kane, analista da Liberum Capital, disse que a mina era “pequena”, dentro do contexto das operações internacionais da Glencore.

“É uma mina muito, muito pequena. Não é particularmente importante”.

A empresa, no entanto, disse que investigou os efeitos que a nacionalização teria sobre os investimentos estrangeiros na Bolívia, onde Morales tenta capitalizar os altos preços dos metais com reformas radicais na mineração.

“A medida tomada pelo governo da Bolívia gerará uma série de graves questionamentos a respeito às futuras políticas do governo em relação aos investimentos estrangeiros no setor de mineração”, afirmou a Glencore.

O grupo disse que pagou mais de 300 milhões de dólares em taxas ao governo boliviano, incluindo um valor de mais de 70 milhões de dólares, pela mina de Colquiri, e que havia investido mais de 160 milhões de dólares no país durante os cinco anos seguintes.