Gigantes farmacêuticas enfrentam desafio triplo

Custos em alta e períodos maiores para desenvolver novos produtos; assédio dos genéricos, agora também nos tribunais; e graves arranhões na imagem pública. Eis a dose tripla de dores de cabeça que atormentam a indústria farmacêutica, segundo análise da re

O fracasso de um único medicamento importante no catálogo de uma farmacêutica pode infligir danos graves às finanças, sem falar na reputação da empresa. Uma única sentença judicial desfavorável pode atrasar o desenvolvimento de um possível campeão de vendas por anos, acrescentando milhões de dólares à conta de pesquisa e desenvolvimento. Segundo análise da revista britânica The Economist, todas esses riscos ocorrem em um cenário em que a concorrência dos genéricos é ainda mais pesada, e chega também aos tribunais.

A reportagem afirma que os custos para o teste de novas drogas estão crescendo em espiral. Um indicador disso é a redução na entrada de novos produtos no mercado. Os lançamentos de drogas aprovadas pela agência americana responsável pelo controle de remédios e alimentos (FDA, na sigla em inglês) caiu da média de 59 por ano entre 1999 e 2001 para 18 em 2002, recuperando-se apenas parcialmente para 34 em 2003.

Além disso, as grandes companhias do setor estão sendo forçadas a defender diante dos tribunais as patentes de seus produtos. Na semana passada o placar foi favorável mas ainda não fixa uma tendência segura. Um juiz americano considerou que a patente do Zyprexa, do laboratório Eli Lilly, permanece válida apesar dos questionamentos levantados por três fabricantes de medicamentos genéricos. O remédio respondeu por um terço do faturamento do laboratório no ano passado, ou 4,4 bilhões de dólares.

Mas, ainda é possível que haja recurso no caso Zyprexa, e, para piorar, dois julgamentos previstos para o final deste ano vão desafiar as patentes do Lipitor, fabricado pela Pfizer, e do Plavix, produzido pela Bristol-Myers Squibb e pela Sanofi-Aventis. O resultado das duas ações judiciais vai jogar mais luz sobre para onde pende o equilíbrio de poder entre as gigantes farmacêuticas e os fabricantes de genéricos.

Tudo isso acontece paralelo a uma série de golpes contra a reputação das empresas farmacêuticas. Além da percepção do público de que cobram caro demais por suas mercadorias, diz a Economist, as companhias foram abaladas pela retirada forçada de medicamentos muito conhecidos no mercado. O efeito colateral são crescentes suspeitas entre os consumidores sobre a ética da indústria farmacêutica.

Na semana passada, os advogados da Merck apresentaram sua defesa na primeira ação por danos pessoais movida em razão do Vioxx, retirado dos pontos-de-venda pela empresa no ano passado. O caso é o primeiro de muitos, e segue para julgamento em maio. Estima-se que o laboratório terá de pagar 15 bilhões de dólares se as alegações contra seu medicamento forem bem-sucedidas.