Gatos são inimigos número 1 da fauna selvagem nos EUA

O gato doméstico ("Felis catus") é um predador introduzido pelo homem em todas as regiões do mundo, e integra a lista das 100 espécies invasoras mais nocivas do mundo

Londres – Por trás de sua aparência inofensiva, os gatos são temidos assassinos em série, que matam, a cada ano, bilhões de aves e mamíferos nos Estados Unidos, revela um estudo publicado esta terça-feira.

O gato doméstico (“Felis catus”) é um predador introduzido pelo homem em todas as regiões do mundo, e integra a lista das 100 espécies invasoras mais nocivas do mundo. Estes felinos já são conhecidos por terem contribuído para o desaparecimento, em ilhas, de 33 espécies de aves, mamíferos e répteis considerados em risco de extinção.

Mas na falta de dados precisos, até agora costumava-se considerar que o número de animais selvagens vítimas dos gatos, de rua ou não, fosse desprezível em comparação com outras ameaças ligadas às atividades humanas, como atropelamentos em estradas ou a destruição de seu hábitat.

Ao reunir e analisar estudos dispersos realizados sobre o tema, zoólogos americanos tentaram avaliar com mais precisão os danos causados pelos gatos domésticos na fauna selvagem nos Estados Unidos.

Os resultados, publicados na revista britânica Nature Communications, são de arrepiar.


Segundo suas estimativas, os gatos americanos matam anualmente entre 1,4 e 3,7 bilhões de pássaros e de 6,9 a 20,7 bilhões de mamíferos.

A maior parte desta matança (69% no que diz respeito às aves e 89% no caso dos mamíferos) é atribuída aos gatos de rua, que vivem em estado selvagem ou são alimentados pelo homem sem estar sob seu controle.

Segundo a avaliação dos estudiosos, existem 84 milhões de gatos domésticos nos Estados Unidos, dos quais entre 30 e 80 milhões vivem nas ruas.

O massacre provocado pelos bichanos “poderia ser a principal causa de morte antropogênica (ligada à atividade humana) nos Estados Unidos”, afirmaram os cientistas, considerando provável que também seja muito maior do que se acredita em outras regiões do mundo.

A equipe, chefiada por Scott Loss, do Smithsonian Conservation Biology Institute de Washington, pede, portanto, o estabelecimento de políticas de conservação adequadas para proteger a fauna selvagem das investidas dos gatos.