Gás sarin foi usado na Síria, afirma governo francês

As análises realizadas por um laboratório francês em amostras "indicaram a presença de sarin"

Paris – A França “tem certeza de que o gás sarin foi usado diversas vezes, e de forma localizada, na Síria”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, nesta terça-feira, em um comunicado, sem indicar os responsáveis pelo uso.

As análises realizadas por um laboratório francês em amostras “indicaram a presença de sarin” e a “França tem agora a certeza de que gás sarin foi utilizado na Síria várias vezes e de forma localizada”, segundo o comunicado.

De acordo com uma fonte diplomática, as amostras vêm de Jobar, subúrbio de Damasco, onde dois enviados especiais do jornal Le Monde testemunharam em meados de abril o uso de gases tóxicos e levaram amostras para as autoridades francesas, e de Saraqeb, no noroeste do país, onde um ataque foi relatado no final de abril.

Fabius informou que havia enviado os resultados das análises na manhã desta terça ao professor Ake Sellström, chefe da missão de investigação criada pelo secretário-geral das Nações Unidas e responsável por estabelecer os fatos sobre as alegações de uso de armas químicas na Síria.

As análises foram realizadas por um laboratório francês designado pela Organização para a Proibição de Armas Químicas com o objetivo de identificar toxinas de guerra.


“Decidimos comunicar imediatamente à missão da ONU competente e publicamente as provas em nossa posse. É inaceitável que os autores desses crimes permaneçam impunes”, segundo o comunicado do ministro.

Além disso, a Comissão de Investigação da ONU sobre a Síria, em um relatório divulgado nesta terça-feira, listou o uso de agentes químicos pelo menos em quatro ocasiões na Síria, entre março e abril.

Os investigadores relataram quatro eventos em que estes agentes foram usados, mas as investigações “não conseguiram identificar a natureza destas substâncias, as armas utilizadas ou quem as utilizou”. O uso dos agentes foi registrado em Khan al-Assal, perto de Aleppo em 19 de março; em Uteibah, perto de Damasco em 19 de março; no bairro de Sheikh Maqsood, em Aleppo no dia 13 de abril; e na cidade de Saraqeb, em 29 de abril.

Pouco depois, a Casa Branca reagiu a essa revelação do governo francês, considerando que são necessárias mais provas para estabelecer definitivamente se o gás sarin foi usado na Síria.

“Devemos aumentar o número de provas em nosso poder (…) antes de tomarmos uma decisão”, disse a jornalistas o porta-voz do presidente Barack Obama, Jay Carney.