G8 defende conferência de paz urgente sobre a Síria

No encontro realizado em Lough Erne, na Irlanda do Norte, os ocidentais de um lado e o presidente russo Vladimir Putin de outro discutiram a situação síria

Após dois dias de intensas negociações, a cúpula do G8 terminou nesta terça-feira com um acordo sobre a Síria, pedindo “o quanto antes” uma conferência de paz em Genebra sobre o conflito.

Cheia de propostas soltas ou ambíguas, a declaração final do G8 sobre a Síria reflete as profundas divergências entre Moscou, aliado indefectível do regime de Damasco, e os ocidentais, que apoiam a oposição síria.

No encontro realizado em Lough Erne, na Irlanda do Norte, os ocidentais de um lado e o presidente russo Vladimir Putin de outro discutiram a situação síria, multiplicando críticas sobre ambos lados.

“Chegar a um acordo não foi fácil”, reconheceu o premier britânico David Cameron, anfitrião do encontro, ao evocar discussões “francas” entre os líderes.

Pouco depois do término da cúpula, Putin evocou novamente a possibilidade de seu país entregar novas armas ao regime sírio de Bashar al-Assad, dando um primeiro golpe ao consenso “para inglês ver” obtido no G8.

“Continuamos engajados para encontrar uma solução política para a crise síria”, disse o G8 em declaração, afirmando sua determinação de organizar “o quanto antes” a conferência de paz em Genebra, deixada de lado desde que foi anunciada no início de maio por Moscou e Washington.

Esta conferência, que deve reunir numa mesma mesa representantes das partes em conflito sírias, deve permitir a criação de um “governo transitório formado por um consenso e tendo plenos poderes executivos”, ressalta o texto.

Esta premissa já havia sido utilizada há um ano durante uma primeira reunião em Genebra, mas nunca foi colocada em prática por não especificar o que ocorrerá com o presidente sírio Bashar al-Assad, cuja saída é exigida pela oposição.


Se, de um lado, a declaração do G8 deixa uma porta aberta para o futuro das forças de segurança, especialmente militares, do regime, que “devem ser preservadas ou restabelecidas”, é “improvável que Assad tenha qualquer papel a desempenhar no futuro de seu país”, insistiu Cameron.

Mesmo assim os russos afirmaram em Lough Erne que “somente os sírios” poderiam decidir o futuro de seu país.

Em entrevista desta terça-feira ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), Basjar al-Assad afirmou que deixar o poder no atual contexto seria uma “traição nacional”.

Ao final da reunião de cúpula na Irlanda do Norte, os chefes de Estado e de Governo das oito grande potências também fizeram um apelo a um acordo sobre um governo de transição sírio “formado por consentimento mútuo” e se disseram “preocupados pela ameaça crescente do terrorismo e do extremismo na Síria”.

“Estamos muito preocupados pela ameaça crescente do terrorismo e do extremismo na Síria”, ressaltaram em seu comunicado final, lamentado a “natureza cada vez mais sectária do conflito” no país.

Os dirigentes do G8 também condenaram “qualquer uso de armas químicas na Síria”, pedindo o acesso da missão de investigação da ONU ao território sírio, até o momento negado por Damasco.

A questão das armas químicas voltou aos holofotes nas últimas duas semanas, quando Paris, Londres e Washington acusaram o regime sírio de ter feito uso de gás Sarin, um poderoso líquido neurotóxico.

Moscou, por sua parte, afirmou que as provas não eram convincentes, embora tenha decidido assinar a condenação geral contida na declaração do G8 emitida nesta terça-feira.