G-7 discute cancelamento de dívidas de países pobres

<EM><SPAN>A</SPAN>cordo entre os ricos pode ser adiado para julho, <SPAN>em razão da</SPAN>s persistentes divisões entre membros do <SPAN>G-7 </SPAN>sobre como implementar o cancelamento de débitos</EM>

Estados Unidos, Reino Unido e outras nações ricas “buscam lentamente” um acordo de cancelamento de bilhões de dólares em dívidas dos países mais pobres do globo. A informação é do americano The Wall Street Journal desta quarta-feira(2/2). Segundo o jornal, a pressão dos militantes antipobreza está levando autoridades do grupo dos sete principais países industrializados (G-7) à tentativa de resolver os detalhes do perdão. No Fórum Econômico Mundial, na semana passada, o presidente Lula pôs em dúvida a efetividade dos discursos pela eliminação da pobreza no mundo.

A reportagem atribui a Gordon Brown, secretário do Tesouro britânico, gestões para que os países em pior situação social e econômica sejam liberados de suas obrigações junto ao Banco Mundial (Bird) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Brown está a cargo da presidência rotativa do colegiado de ministros de finanças do G-7. Os governos dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Itália e Canadá permanecem divididos sobre os meios para financiar o cancelamento de dívidas. Um acordo definitivo pode ser adiado para julho, na Escócia, quando o G-7 volta a se reunir.

No caso do FMI, os 9 bilhões de dólares de dívidas dos países pobres com o organismo poderiam ser canceladas através do recurso às “imensas reservas de ouro” do fundo, afirma o Wall Street. O FMI mantém 43 bilhões de dólares em ouro. O caso do Bird é mais difícil, porque o cancelamento das dívidas pode afetar a classificação de risco, forçando a instituição a captar recursos a juros mais altos, o que provocaria o oferecimento de empréstimos mais caros no futuro. Brown sugere que as nações ricas paguem os empréstimos no lugar das pobres, evitando problemas para o Bird. Já a administração Bush, que enfrenta déficits gigantescos, propõe que o Bird perdoe os débitos atuais, reduza o montante disponível para empréstimos futuros e mude o foco das operações para a concessão de garantias, em vez de financiamentos.

As entidades que lutam pelo perdão da dívida afirmam que a medida é essencial para que os países pobres liberem recursos para educação, saúde, abastecimento de água e outras necessidades básicas. Para o professor de economia da USP, Simão Davi Silber, também é indispensável que os países se organizem internamente para resolver seus problemas.