França em chamas: quem são os “coletes amarelos” que protestam em Paris?

Milhares foram às ruas em protestos que trouxeram o caos para a capital da França neste final de semana. Entenda quem são e o que querem os manifestantes

São Paulo – Neste final de semana, quase 200 mil pessoas foram às ruas por toda a França para protestar. A capital Paris, por exemplo, viveu dias de caos e acabou transformada em um verdadeiro campo de batalha entre manifestantes e polícia em razão dos embates que aconteceram nos últimos dias.

A onda de protestos que atinge a cidade, e que é vista como a pior desde as históricas demonstrações de 1968, se iniciou em 17 de novembro por todo o país e é obra de um movimento que nasceu nas redes sociais, se diz apartidário e sem qualquer ligação com sindicatos. A principal demanda é a de que o governo desista de aumentar o preço dos combustíveis no país, uma medida que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2019.

E para simbolizar a reivindicação, os manifestantes estão usando coletes amarelos. A veste é um item de segurança de trânsito obrigatório na França e vários países da União Europeia. Não tê-la no automóvel é uma infração passível de multa, cujo valor depende de país para país. Como resultado, o colete acabou se tornando um símbolo das revoltas.

O que eram demonstrações pacíficas, contudo, tornaram-se violentas, uma vez que existem suspeitas de que grupos tenham se infiltrado nos protestos com a intenção de causar tumultos. Na capital, lojas foram apedrejadas e carros foram vandalizados. O Arco do Triunfo, um dos maiores pontos turísticos da cidade, foi um dos principais locais de embate entre manifestantes e a polícia.

Segundo números das autoridades locais, mais de 400 pessoas foram presas em Paris e 133 ficaram feridas em confrontos com as autoridades. Vários canhões d’água e o menos 10 mil bombas de gás lacrimogêneo foram lançados contra os manifestantes. Em toda a França, foram quase 700 prisões e 263 feridos, dos quais 81 são policiais.

Macron sob pressão

O caos causado pelas demonstrações pressiona em cheio o presidente Emmanuel Macron. Esse aumento prevê taxas sobre os combustíveis que seriam de 6,5 centavos por litro de gasóleo e 2,9 centavos para a gasolina. Com isso, o governo espera desestimular o uso de combustíveis fósseis e equiparar a taxação da gasolina e do diesel.

A possibilidade de aumento nos preços gerou revolta na população. Como resultado da ação popular, que contou, ainda, com uma petição que obteve a assinatura de mais de um milhão de pessoas, o governo disse que deixaria de subir o preço do combustível, caso o valor do barril de petróleo subisse demais. A possibilidade, contudo, não acalmou os ânimos do movimento, que seguirá protestando em todo o país.

Nesta segunda-feira, o clima no governo era de consternação e negociação. O presidente pediu ao primeiro-ministro, Édouard Philippe, que ele se reúna com a oposição e com lideranças do movimento para buscar uma saída para a crise, que se tornou mais um golpe na popularidade do jovem líder francês, que hoje tem apenas 25% de aprovação.

Macron precisa ser rápido para lidar com a velocidade com a qual movimentos populares nascidos nas redes sociais chegam às ruas. E ganhou alguns dias, uma vez que o próximo protesto está agendado para acontecer no sábado, 8 de dezembro. Esse acontecerá sob seus olhos, pois a mobilização será em frente ao Palácio Eliseu, a residência oficial do presidente da França.