França e Alemanha pedem novas regras sobre espionagem

França e Alemanha pedirão aos Estados Unidos novas regras sobre as atividades dos serviços secretos ante a avalanche de denúncias de espionagem

Bruxelas – França e Alemanha pedirão aos Estados Unidos novas regras sobre as atividades dos serviços secretos ante a avalanche de denúncias de espionagem de governantes e de milhões de cidadãos no mundo.

Os governantes dos dois países, que se reuniram à margem de um encontro de cúpula de dois dias da União Europeia (UE) em Bruxelas, que termina esta sexta-feira, “destacaram a relação estreita entre Europa e Estados Unidos e seu valor”, disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

“E expressaram a convicção de que a relação deve estar baseada no respeito e confiança, incluindo o trabalho e a cooperação dos serviços secretos”, completou.

Mas o presidente francês, François Hollande, promotor da iniciativa ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, exigiu “explicações” ao aliado americano.

Hollande disse que as revelações do ex-consultor da Agência de Segurança Nacianal (NSA) dos Estados Unidos Edward Snowden sobre as práticas de espionagem de Washington contra aliados poderiam ser “úteis” se resultassem em uma “eficácia maior” dos serviços e mais proteção da vida privada dos cidadãos.

“Agora se apresenta o tema da confiança, buscar a verdade sobre o passado e estabelecer as regras de comportamento para o futuro”, disse.

A ausência de confiança pode prejudicar a cooperação na luta contra o terrorismo”, destacou Van Rompuy, que convidou o restante dos países da União Europeia a aderir à iniciativa.

Segundo ele, “França e Alemanha querem buscar um contato bilateral com os EUA para encontrar um compromisso até o fim do ano” sobre as atividades dos serviços secretos.


“França e Alemanha comunicaram que têm uma resolução comum (…). Os 28 estão de acordo sobre o texto”, completou, destacando que outros países podem “se unir à iniciativa”.

Ele garantiu que o Reino Unido está “de acordo” com o texto.

Segundo o chefe do governo italiano, Enrico Letta, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, teve “uma atitude positiva”.

A enxurrada de revelações sobre os “grampos” praticados pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) contra líderes europeus, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel, caiu como uma bomba na reunião de Bruxelas.

A maior parte dos mandatários exige que se esclareça a verdade sobre esses fatos “inaceitáveis”. “Não se espiona os amigos”, frisou Merkel.

“Esse é um assunto que não vai parar de nos incomodar, porque sabemos que haverá outras revelações”, disse o presidente francês, François Hollande, em uma entrevista coletiva em separado, defendendo rapidez no processo.

Um grupo de trabalho entre europeus e americanos chegou a ser criado, logo no início dos vazamentos confidenciais na imprensa, para debater a proteção de dados, lembrou Van Rompuy. De acordo com o presidente francês esse grupo será “reativado”.

Nesta quinta, o jornal britânico “The Guardian” publicou que a NSA “espionou as conversas telefônicas de 35 dirigentes do mundo após um alto funcionário americano entregar uma lista com os números”.

“The Guardian” cita um documento interno, no qual a NSA pede aos responsáveis de vários organismos do Executivo, incluindo Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono, que “compartilhem seus números de telefone e endereços eletrônicos (e-mails) com a agência”.

Ainda segundo o jornal, apenas um destes responsáveis entregou “200 números, entre eles os de 35 dirigentes mundiais”, à NSA.

As revelações são baseadas em documentos vazados pelo ex-analista de Inteligência Edward Snowden, atualmente refugiado na Rússia.