França bombardeará EI mas não enviará tropas ao Iraque

Líder francês explicou que sua decisão responde a uma "solicitação das autoridades iraquianas"

Paris – O presidente francês, François Hollande, anunciou nesta quinta-feira que a França fornecerá apoio aéreo ao governo iraquiano para bombardear as milícias jihadistas do Estado Islâmico (EI), mas ressaltou que Paris não enviará tropas sobre o terreno e que a ação se limitará ao Iraque.

“Não iremos além. Não haverá tropas no terreno e só se atuará no Iraque”, declarou Hollande em sua quarta grande entrevista coletiva desde sua chegada à presidência francesa, em 2012.

O líder explicou que sua decisão responde a uma “solicitação das autoridades iraquianas” e encarregou o primeiro-ministro, Manuel Valls, de informar sobre a intervenção aos distintos grupos parlamentares franceses.

“O que decidi é fornecer proteção aérea para que os soldados iraquianos possam reduzir e debilitar esse movimento terrorista”, que “prosperou no caos sírio porque a comunidade internacional permaneceu inerte”, disse Hollande.

O presidente argumentou que tomou a decisão em função da própria segurança da França, onde “também é preciso lutar contra o terrorismo”. Hollande afirmou que cerca de mil jovens de nacionalidade francesa se somaram às fileiras do EI recentemente.

O presidente disse que alguns desses jovens “podem voltar com o pior projeto na cabeça”, em referência ao atentado que matou quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas em maio, supostamente cometido por Mehdi Nemmouche, que teria ficado mais de um ano na Síria treinando com jihadistas do EI.

O presidente da França opinou que o terrorismo mudou de dimensão e que nunca dispôs de tantos meios “militares, financeiros e humanos”. Hollande disse ainda que o terrorismo deseja agora “tomar o lugar” dos Estados.

“Não só o Iraque está ameaçado, não só o Oriente Médio, mas a Europa e o mundo”, acrescentou Hollande. O presidente lembrou que o governo francês adotou nesta semana um projeto de lei para lutar contra a captação de voluntários para o terrorismo na França.

Na segunda-feira, coincidindo com a realização em Paris de uma conferência sobre a paz e a segurança no Iraque com a participação de 24 países mais a Liga Árabe, ONU e a União Europeia, caças franceses Rafale começaram a sobrevoar Iraque.

“Assim que tenhamos identificado os alvos, em um prazo curto, atuaremos”, garantiu Hollande.