França ataca EI no Iraque e jihadistas avançam na Síria

Na Síria, o Estado Islâmico avançava no norte do país, provocando a fuga de milhares de curdos em direção a Turquia

Bagdá – Caças franceses lançaram nesta sexta-feira seus primeiros ataques contra posições do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque, intensificando os esforços em nível mundial dos Estados Unidos para lutar contra a crescente ameaça representada pelos jihadistas.

Na Síria, o EI avançava no norte do país, provocando a fuga de milhares de curdos em direção a Turquia, principalmente mulheres, idosos e crianças. Em 48 horas, os jihadistas capturaram 60 cidades curdas.

Em Nova York, as negociações para fortalecer a coalizão de quarenta países iniciadas pelo presidente Barack Obama devem continuar com uma reunião ministerial do Conselho de Segurança da ONU.

Com o objetivo de ser “mais preciso” nas atribuições de cada um na guerra contra o EI, de acordo com John Kerry, chefe da diplomacia americana.

Washington saudou a decisão da França de se juntar à campanha aérea contra o grupo responsável pelas piores atrocidades – estupros, sequestros, execuções, crucificações e perseguições – em áreas conquistadas nos últimos meses graças a instabilidade no Iraque e a guerra civil na Síria.

“Nossos aviões Rafale efetuaram o primeiro ataque contra um depósito logístico dos terroristas da organização Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico) no nordeste do Iraque. O objetivo foi atingido e destruído por completo”, declarou o presidente francês, François Hollande.

O alvo estava localizado em Tal Mus, entre as cidades de Mossul e Zumar, no norte do Iraque, informou à AFP um porta-voz das forças curdas, Halgord Hekmat.

De acordo com uma fonte militar francesa, o depósito continha “muita munição”, veículos e reservas de combustível.

Parceria sólida

Ao anunciar o compromisso francês na quinta-feira, o presidente Hollande disse que seu país não iria enviar tropas terrestres e que interviria apenas no Iraque. A França diverge sobre este último ponto dos Estados Unidos, cuja estratégia prevê ataques aéreos na Síria contra as fortalezas do grupo extremista sunita.

Obama, no entanto, chamou Paris de “parceiro sólido” na luta “contra o terrorismo”.

O entendimento entre os dois aliados contrasta nitidamente com as fortes tensões criadas há uma década pela oposição aberta de Paris à guerra no Iraque lançada pelo presidente George W. Bush.

Na Síria, o EI tomou o controle de quase 40 vilarejos nos arredores de Ain al-Arab (nordeste) apenas nesta sexta, aumentando para 60 o número de localidades curdas conquistadas em 48 horas, e intensos combates prosseguiam com os curdos na área de fronteira da Turquia, de acordo com uma ONG.

Em resposta ao avanço jihadista, cerca de 4.000 curdos sírios fugiram em direção à Turquia, que, em um primeiro momento, se recusou a aceitá-los.

“Obrigado Turquia, que Deus vos abençoe. Consegui, apesar de tudo, salvar meus dois filhos”, lançou uma jovem mulher curda, enquanto explosões eram ouvidas à distância.

Atentados urbanos

Com cerca de 35.000 homens segundo as estimativas, o EI proclamou um califado nas regiões ocupadas no Iraque e na Síria, um território tão grande como o Reino Unido.

De acordo com especialistas, para evitar os ataques da coalizão, os combatentes vão retirar-se para as áreas urbanas, realizar operações de guerrilha e reduzir a sua mobilidade em áreas desérticas, onde são facilmente identificáveis.

Tendo descartado tropas de combate terrestres, os Estados Unidos contam com os rebeldes sírios moderados para enfrentar o EI no campo.

Para este fim, o Senado americano aprovou nesta quinta-feira um plano no valor de US$ 500 milhões por ano para equipar e treinar os rebeldes, enfraquecidos pela sua dupla guerra contra o EI e o regime na Síria.

Como parte da estratégia de Obama, que prevê uma intensificação dos ataques no Iraque, os caças americanos visaram pela primeira vez um campo de treinamento do EI ao sudeste de Mossul, onde cerca de 40 jihadistas estavam.

Desde 8 de agosto, os quase 170 ataques aéreos americanos permitiram que as forças iraquianas e curdas recuperassem terreno ao norte de Bagdá, depois das derrotas registradas nos primeiros dias da ofensiva jihadista, lançada em 9 de junho.

Nos últimos dias, os combates se concentravam a cerca de 50 km ao sul de Bagdá, onde as tropas de elite iraquianas, apoiadas pelos ataques americanos, enfrentavam os jihadistas na região de Fadhiliya.

Além dos combates, os ataques continuam, matando 22 pessoas nesta sexta-feira em Bagdá e Kirkuk (norte).