Forte competição mantém os lucros baixos na China

Segundo pesquisa, os ganhos das companhias americanas instaladas na China são menores que os de mercados menos populosos

A elevada taxa de crescimento e um mercado consumidor populoso não transformaram a China em um país onde as empresas podem encontrar elevadas margens de lucro. A conclusão é de uma pesquisa da China Economic Quarterly (CEQ), um instituto independente dedicado a estudar os chineses. “Muitas empresas estrangeiras na China ainda lutam, sobretudo, para fazer dinheiro, devido às baixas margens de lucro locais e à intensa competição”, afirmou um dos coordenadores do trabalho, Joe Studwell, ao jornal britânico Financial Times.

A CEQ estima que, no ano passado, as empresas americanas obtiveram 4,4 bilhões de dólares em lucros de suas atividades na China, contra 1,9 bilhão em 1999. A cifra sobe para 8,2 bilhões, quando se somam os royalties, direitos de licenciamento e lucros gerados pela prestação de serviços de consultoria e treinamento, entre outros.

Apesar da evolução registrada nesses quatro anos, o volume de lucro é semelhante ao de mercados menos populosos. Na Austrália, que conta com 19 milhões de habitantes, as companhias americanas obtiveram 7,1 bilhões de dólares de lucros em 2003. Já em Taiwan e na Coréia do Sul, cujo mercado conjunto conta com 70 milhões de pessoas, os ganhos foram de 8,9 bilhões.

Na América Latina, a CEQ destacou a situação do México, que rendeu ganhos de 14,3 bilhões de dólares aos americanos no ano passado. Conforme a pesquisa, “os dados contrariam o senso comum acerca das abundantes e lucrativas oportunidades abertas pela China às companhias estrangeiras”. Para Studwell, o que se verifica nesse mercado é um rápido crescimento dos ganhos, mas a partir de uma pequena base de comparação.

Conforme Studwell, as empresas americanas que mais ganham dinheiro na China são as que usam o país como plataforma de exportações ou como fonte de produtos baratos, como a rede Wal-Mart. Exportadores de commodities, como a mineradora BHP Billiton, também se beneficiaram da expansão chinesa, explorando o crescimento de segmentos como a siderurgia.

Outras empresas bem-sucedidas no mercado local são as montadoras de automóveis, como a General Motors, ou gigantes do ramo de alimentos, como a Yum Brands e o McDonalds. “Um dia, os chineses se transformarão de fato em um importante mercado, mas, no momento, a importância do país para as companhias é ser a principal engrenagem no sistema mundial de manufaturas para exportação”, afirma a pesquisa.