Formação de governo seguirá prazos em meio à violência do EI

Novo governo deverá ser formado dentro do prazo de 30 dias estipulado pela Constituição

Bagdá – O primeiro-ministro designado do Iraque, Haida al Abadi, assegurou nesta quinta-feira que formará um novo governo dentro do prazo de 30 dias estipulado pela Constituição, enquanto os yazidis seguem sendo perseguidos pelo grupo radical Estado Islâmico (EI) no norte do país.

Abadi se mostrou otimista hoje em superar a principal barreira que até agora impedia a formação de um novo Executivo no país: as divergências políticas que agravaram a crise iraquiana.

“As negociações para formar governo se desenvolvem de forma positiva”, assegurou Abadi, designado primeiro-ministro no último dia 11 de agosto após um longo período de estagnação no diálogo político que deveria definir as novas autoridades iraquianas após as eleições legislativas do último dia 30 de abril.

Abadi substitui o também xiita Nouri al-Maliki, que, a princípio, se mostrou reticente em deixar o poder, mas finalmente acabou reconhecendo seu sucessor e o apoiando na complicada etapa política que o Iraque atravessa.

De fato, Maliki exortou ontem às forças políticas a não impor condições para entrar no Executivo e pediu que esse novo governo de união nacional não repita os mesmos “erros do passado”.

O primeiro-ministro designado apontou que está estudando os programas apresentados pelas forças políticas que participam do processo democrático e que espera “chegar a um acordo o mais rápido possível”.

O responsável xiita também precisou que o novo Executivo “terá uma ampla aceitação nacional e será eficiente e transparente”, como recomendou a máxima autoridade religiosa xiita no Iraque, Ali al Sistani.

Como principais prioridades para o novo gabinete, o primeiro-ministro estabeleceu a solução dos problemas de segurança do país e a luta contra a corrupção administrativa e financeira.

Para concretizar essas metas, Abadi pediu aos blocos políticos uma postura mais flexível, que permita superar as divergências e formar o novo governo.

Enquanto o plano político se desenvolve em Bagdá, no norte do país, a luta armada do Estado Islâmico segue intensa contra o Exército iraquiano, as tropas curdas e a aviação americana, mobilizada para conter o avanço dos jihadistas em direção a Erbil, a capital da região autônoma do Curdistão.

O grupo radical, que nos últimos meses demonstrou suas práticas extremistas tanto na Síria como no Iraque, publicou hoje um vídeo da conversão ao islã de dezenas de membros da minoria religiosa curda yazidi no país.

O filme, de dez minutos, começa explicando que os yazidis são “uma seita de infiéis autênticos” e, por isso, são acusados de praticar “ritos raros como a adoração do maldito satanás”.

Além disso, os jihadistas asseguram que o número de yazidis no norte do Iraque é de 70 mil pessoas, das quais “centenas se converteram ao islã”, embora a gravação mostre apenas várias dezenas.

De etnia curda, as origens desta minoria religiosa pré-islâmica, que combina elementos das crenças monoteístas, se remetem a vários séculos atrás.

Um jihadista do EI, que não especificou seu nome, atribui “a guerra contra os yazidis” a sua resistência em impedir o grupo de avançar em direção a sua região.

“Agora são infiéis, depois lhes mostraremos a “shahada” (profissão de fé islâmica) e serão convertidos em muçulmanos”, explicou um responsável radical dirigindo a palavra a dezenas de homens yazidis, a maioria deles jovens.

Após recitar a “shahada”, os yazidis rezam no vídeo a oração muçulmana e vários deles declaram que o islã é “a religião verdadeira e da justiça”.

Desde o último dia 10 de junho, quando assumiram o controle de Mossul, a segunda cidade do país, os jihadistas declararam um “califado” nas zonas controladas entre o norte da Síria e o Iraque, avançando na “conquista” de mais regiões para ampliar seu poder.

Os civis são as principais vítimas dos radicais, principalmente minorias religiosas como os yazidis. Dezenas de milhares deles tiveram que fugir ao monte Sinjar, próximo a Mossul, para não serem executados pelo EI. No entanto, muitos deles seguem cercados no local sem água ou alimentos.