Foguetes e bombardeios matam mais de 60 pessoas em Damasco

Segundo pôde constatar a Efe, o barulho dos foguetes começou a ser escutado desde primeira hora da manhã em Damasco

Damasco/Beirute – Mais de 60 pessoas morreram e 100 ficaram feridas na troca de fogo de artilharia travada nesta quinta-feira entre o regime sírio e as forças rebeldes em Damasco e seus arredores.

“Desde o início da guerra, não vivemos um dia tão perigoso como este pela queda de foguetes” na capital, disse à Agência Efe por telefone o porta-voz do grupo Diário das Bombas em Damasco, Maher al Mounnes.

Mounnes, cuja organização se define como independente e se dedica a documentar este tipo de ataque, explicou que as autoridades ordenaram hoje o fechamento de universidades e escolas.

“Quase não há engarrafamentos nas ruas porque as pessoas decidiram ficar em suas casas”, afirmou o porta-voz, que destacou que praticamente todos os distritos do centro da cidade foram alvo dos foguetes.

Em consequência, pelo menos sete pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas pelo impacto de 75 projéteis lançados indiscriminadamente por “terroristas infiéis”, disse à Efe um porta-voz do Ministério do Interior sírio.

Por sua vez, o Observatório Sírio de Direitos Humanos elevou o número de mortos para nove.

Um foguete atingiu a igreja de Zeituna, na parte antiga da cidade; outros três caíram perto da Mesquita dos Omíadas; dez nas proximidades dos hotéis Four Seasons e Cham Palace; cinco em bairros de maioria cristã; e dezenas nos arredores de centros universitários.

Um projétil impactou, além disso, as imediações do edifício da agência de notícias oficial “Sana”.

Segundo pôde constatar a Efe, o barulho dos foguetes começou a ser escutado desde primeira hora da manhã em Damasco, para depois diminuir por volta do meio-dia, e voltou a intensificar-se ao entardecer.

No céu da capital, viram-se aviões de combate voando a baixa altura em direção a Ghouta Oriental, principal bastião opositor dos arredores, onde ficam as plataformas de lançamento de projéteis dos rebeldes.

O insurgente Exército do Islã reivindicou em sua conta no Twitter o disparo dos foguetes e assegurou que durante esta quinta-feira lançou 300 bombas contra diferentes bairros de Damasco.

O grupo advertiu que esta operação continuará até que o regime detenha os ataques aéreos contra Ghouta Oriental.

Nessa região, a aviação governamental efetuou 42 bombardeios contra as localidades de Duma, Arbin, Kafr Batna e Ain Tarma, onde pelo menos 57 pessoas morreram, entre elas 12 menores, e mais de 100 ficaram feridas, indicou o Observatório.

Em declarações à Efe pela internet desde Ghouta Oriental, um ativista opositor, identificado como Abul Hassan, detalhou que a situação é “crítica” nessas povoações, após os ataques da força aérea do regime, que está empregando aviões tipo Mig, de fabricação russa.

O ativista ressaltou que as áreas mais afetadas foram dois mercados em Kafr Batna e Duma, onde houve dezenas de mortos.

Apesar destes ataques, a rotina dos cidadãos ali quase não mudou hoje. “Isto é habitual, estamos acostumados aos bombardeios, há dias que há mais e outros menos, mas são diários”, lamentou Hassan.

A intensificação do lançamento de projéteis contra o centro de Damasco e dos bombardeios governamentais na periferia acontece dois dias depois de o líder do Exército do Islã, Zahran Alloush, emitir um comunicado no qual declarava a capital como “zona militar”.

Alloush afirmou que tomava esta medida “em resposta aos bombardeios executados pelo regime na cidade de Duma e o resto de localidades de Ghouta Oriental, e devido à concentração na capital de quartéis militares, centros de segurança, complexos de defesa, plataformas de lançamento de foguetes e bases do comando e da polícia”.

O líder do Exército do Islã pediu a “civis, membros de missões diplomáticas e alunos de colégios e universidades” que não se aproximem de nenhum quartel do regime ou postos de controle desde a manhã da última quarta-feira até novo aviso.

Segundo a ONU, mais de 200.000 pessoas morreram desde o início do conflito na Síria, em março de 2011.