Flórida se prepara para tormenta que pode ser a pior em décadas

Furacão Michael deve se aproximar da categoria 4 na escala Saffir Simpson, que vai de 1 a 5

O norte da Flórida se preparava na terça-feira para o enorme furacão Michael, que chegará nesta quarta-feira, 10, ao sudeste americano com ventos de categoria 3.

O furacão, que subiu para a categoria 3 na escala Saffir Simpson (1 a 5) na tarde da terça-feira, tem agora ventos firmes de até 195 km/h e deve ganhar ainda mais força, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC).

O último boletim do NHC, às 24h GMT (21h de Brasília), adverte que Michael deve se aproximar da categoria 4 – com ventos a partir de 209 km/h – antes de tocar a terra na costa da Flórida, provocando até 30 cm de chuvas até sexta-feira.

Depois vai enfraquecer enquanto entra pelo sudeste americano, para a Geórgia e as Carolinas.

O furacão está no momento a 410 km de Panama City, na Flórida, se deslocando para o norte a 19 km/h.

Michael poderá ser “a tormenta mais devastadora a atingir a Flórida em décadas”, advertiu o governador Rick Scott.

“O tempo para se preparar está acabando”, escreveu Rick Scott. “Esta é uma situação séria de risco de vida, não assuma nenhum risco. Se disserem para evacuar, evacue”.

Nesta terça-feira, o presidente Donald Trump declarou o estado de emergência na Flórida, o que permite a liberação de verbas federais.

A Flórida e o estado vizinho do Alabama já haviam declarado o estado de emergência e as áreas costeiras na zona de impacto estão sob ordens de evacuação obrigatória. De acordo com a rede ABC, isso afeta ao menos 120.000 pessoas.

“O furacão Michael é uma tempestade enorme”, disse o governador após declarar na segunda-feira o estado de emergência para 35 condados do norte e do oeste.

O NHC emitiu um alerta de furacão para a fronteira entre o Alabama e a Flórida e alerta de ressaca para a costa noroeste da Flórida, do extremo norte até Tampa.

O presidente Donald Trump disse que entrou em contato com autoridades e assegurou que o governo está pronto para responder a esta emergência.

“Estamos muito bem preparados. A Agência Federal para Situações de Emergência (FEMA) está pronta. Todos estamos prontos. Falamos com o governador Scott, falei com todos que tinha que falar”, garantiu Trump.

MARÉ MORTAL

As ondas podem atingir até 3,6 metros em algumas áreas do oeste da Flórida, enquanto se espera de 10 a 20 cm de chuva no oeste de Cuba e no noroeste da Flórida.

“Estamos a 12 horas de começar a sentir o impacto”, disse Scott à ABC News. “O potencial de uma maré de 12 pés [3,6 metros] é simplesmente mortal”.

O tráfego começava a se acentuar, enquanto as filas nos postos de gasolina continuavam e os moradores preparavam sacos de areia para proteger suas casas.

Na manhã desta terça-feira, Florida Keys já sentia fortes chuvas do furacão.

O prefeito de Tallahassee, o democrata Andrew Gillum, suspendeu suas atividades de campanha para o governo da Flórida e retornou à capital no norte do estado para participar dos preparativos.

“Temos muitas árvores nesta comunidade, esta cidade é coberta de árvores”, disse Gillum nesta terça, anunciando os preparativos em Tallahassee.

“Isso significa que podem cair nos postes de energia, o que provocará uma interrupção do serviço de fornecimento elétrico”, acrescentou, incentivando os moradores a se prepararem por vários dias sem energia.

A autoridade eleitoral prorrogou o prazo para se registrar para votar nas áreas sob estado de emergência para as eleições de 6 de novembro. O prazo terminava nesta terça-feira.

Em setembro, o furacão Florence atingiu o sudeste dos Estados Unidos como um furacão de categoria 1 e inundou grandes partes dos estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul, norte da Flórida.

No ano passado, uma série de furacões catastróficos atingiu o Atlântico ocidental. Os mais devastadores foram Harvey no Texas, Irma no Caribe e Flórida e Maria, que atingiu o Caribe e deixou quase 3.000 mortos no território americano de Porto Rico.

 

 

Os cientistas têm alertado que o aquecimento global produzirá ciclones mais destrutivos e, segundo alguns, a evidência já é visível.

A temporada de furacões no Atlântico termina em 30 de novembro. Este ano houve 13 tempestades nomeadas, sete das quais se tornaram um furacão.