Felipe VI pede entendimento e unidade a partidos da Espanha

Rei lembrou que a pluralidade política apresenta "visões diferentes", mas representam forma de "exercer a política baseada no diálogo e no compromisso"

Madri — O rei Felipe VI pediu nesta quinta-feira que os partidos políticos espanhóis atuem com sentido de dever e vontade de entendimento ao serviço dos cidadãos para garantir a unidade do país acima dos interesses pessoais.

Pouco dias depois das eleições gerais, que desenharam um cenário complexo para a formação de um governo de coalizão, Felipe VI lembrou que a pluralidade política expressada nas urnas apresenta “visões e perspectivas diferentes”, mas que representam uma forma de “exercer a política baseada no diálogo e no compromisso”.

“Agora, o que deve importar para todos, antes de tudo, é a Espanha e o interesse geral dos espanhóis”, reiterou o monarca na segunda mensagem de Natal do seu reinado.

O Partido Popular (PP), atualmente no governo, saiu vitorioso das urnas no último pleito, mas sem maioria suficiente para formar um governo. Por isso, precisa do apoio de outros partidos, algo pouco comum na política espanhola, acostumada com uma alternância bipartidária no poder entre o próprio PP e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

O cenário mudou devido à ascensão de outros dois grupos políticos que entraram no Congresso: o Podemos e o Ciudadanos.

“Os espanhóis nunca se rendem diante das dificuldades, que foram grandes, mas sempre as vencemos. Há décadas o povo espanhol decidiu, de uma vez por todas, dar as mãos e não as costas”, disse o monarca, reforçando suas palavras de confiança sobre o futuro da Espanha.

Felipe pediu que os partidos respeitem a Constituição de 1978 e mostrou confiança na “unidade de continuidade da Espanha” frente às tentativas de “ruptura da lei” ou de “impor uma ideia ou um projeto sobre os demais espanhóis”.

Em setembro, o parlamento regional da Catalunha aprovou uma resolução para iniciar um processo de separação na Espanha, suspensa pelo Tribunal Constitucional no início de dezembro.

Sem fazer referência explicita à independência catalã, o Felipe VI pediu a coesão nacional, destacando que a Espanha se baseia nos mesmos valores constitucionais, mas respeita as diversidades regiões.

O monarca também ressaltou que a recuperação da economia é uma “prioridade para todos”. Por isso, pediu um “crescimento econômico sustentado”, que favoreça “a criação de emprego digno, que fortaleça os serviços públicos essenciais como a saúde e a educação, e que permita reduzir as desigualdades acentuadas pela crise”.

A Espanha viveu há cinco anos uma forte crise econômica, mas começou a se recuperar neste ano com bons índices macroeconômicos, apesar de o desemprego ainda estar acima dos 21%, com uma incidência maior entre os mais jovens.

Entre os grandes desafios internacionais, o rei destacou o drama dos refugiados que fogem das guerras no Oriente Médio e o terrorismo, contra o qual expressou sua “indignação e horror” diante de atentados recentes como os de Paris e Cabul.

Pela primeira vez desde a restauração da monarquia em 1975, a mensagem de Natal do monarca foi gravada no Palácio Real, no imponente Salão do Trono, e não no Palácio Zarzuela, a residência oficial, como era feito até então.