Farc tem até hoje para provar ao Equador que jornalistas estão vivos

ÀS SETE - Em 26 de março, um grupo do jornal El Comercio foi sequestrado no povoado de Mataje, onde os dois países seguem perseguindo guerrilheiros

Acabar com a rotina de terror das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, tem se mostrado mais difícil que o imaginado.

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O grupo guerrilheiro se rendeu oficialmente em 2016, e virou um partido político. Concorreu com representantes para o Senado e a Câmara nas eleições de março, e terá 10 cadeiras asseguradas no Congresso até 2025.

Mas uma parte dos 1.500 combatentes se negou a entregar as armas. Um grupo em especial, posicionado na fronteira com o Equador, ganhou as manchetes esta semana. Em meio século de confrontos, a guerra civil colombiana deixou 220.000 mortos.

Na noite de ontem, o presidente equatoriano, Lenín Moreno, deu um prazo de 12 horas para que sequestradores das Farc apresentem alguma prova de vida de uma equipe de reportagem do país que fazia trabalhos de investigação na fronteira.

Segundo Moreno, caso a prova não seja entregue o Equador irá “com toda a contundência” “punir estes violadores de todos os direitos humanos”.

O presidente deu as declarações no aeroporto de Quito, depois de deixar às pressas a Cúpula das Américas, no Peru, informado de uma possível execução dos jornalistas.

Pelo Twitter, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou que o ultimato equatoriano “tem e terá todo meu apoio, e de nossas forças armadas e do povo colombiano”.

O grupo de dois jornalistas e um motorista do jornal El Comercio foi sequestrado no dia 26 de março no povoado de Mataje, onde os dois países seguem perseguindo guerrilheiros.

No início de abril, um vídeo exibido pelo canal colombiano RCN mostra o trio com algemas e correntes no pescoço. Nesta quinta-feira, o RCN recebeu imagens do que seriam os corpos dos reféns, mas as imagens ainda não tiveram sua veracidade confirmada.

O caso mobiliza os dois países porque ninguém sabe a localização dos sequestradores na zona fronteiriça. Na quarta-feira chegou a circular uma notícia de que os jornalistas haviam sido mortos em uma fracassada operação de resgate comandada pelo governo colombiano – o país nega.

O governo colombiano oferece 107.000 dólares por informações que levam à prisão do líder da organização, Walter Artizala, conhecido como Guacho, que tem conduzido crimes como tráfico de drogas na fronteira. Pegá-lo, agora, é uma questão de honra dos dois lados da fronteira.