FAO lança campanha mundial contra má nutrição

O objetivo da campanha é combater a fome e obesidade

Roma – A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) lançou nesta terça-feira, em Roma, uma campanha mundial para erradicar a má nutrição, que provoca carências alimentares, mas, também, obesidade, um desafio para muitos países.

Se 12,5% da população mundial (868 milhões de pessoas) continuar a ingerir uma quantidade inadequada de calorias em sua porção diária, a quantidade de “malnutridos” chegará a 2 bilhões de pessoas, com uma ou mais carência em micronutrientes (vitaminas e outros), indicam os especialistas da FAO.

Baseado neste cálculo, a desnutrição atinge 26% das crianças que apresentam um retardo no crescimento, enquanto 1,4 bilhão de pessoas apresentam excesso de peso – incluindo 500 milhões de obesos.

“A maioria dos países são afetados por vários tipos de má nutrição que podem coexistir em escala nacional, doméstica ou individual”, indica a FAO em seu relatório anual sobre “A situação da alimentação e da agricultura – Os sistemas alimentares a serviço de uma melhor nutrição” (Sofa, 2013).

Este é particularmente o caso de grandes países emergentes, como China e Brasil, onde o excesso de peso é um problema de saúde pública que acompanha a urbanização e o aumento da renda.

O custo da má nutrição para a economia mundial em perda de produtividade e gastos em saúde é inaceitavelmente elevado e poderia alcançar até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial: 3,5 bilhões de dólares, o equivalente a 500 dólares por pessoa”, ressalta a entidade internacional.

Para muitos países na América Latina é possível eliminar a fome, no sentido de que a população tenha calorias o suficiente, mas é mais difícil melhorar a nutrição.

Algumas organizações alertam que a desnutrição da mãe e da criança continua a ser, “de longe”, a principal preocupação, por “representar duas vezes mais em custos sociais do que o sobrepeso e a obesidade em adultos”.


Mas a desnutrição “caiu quase pela metade nos últimos 20 anos, enquanto o sobrepeso e a obesidade quase dobraram”.

Durante a Jornada Mundial da Alimentação em Roma, em outubro passado, o relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, Olivier De Schutter, fez um apelo por mais atenção sobre o déficit de elementos essenciais para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças, “como iodo, ferro, vitaminas”.

Quando os preços das commodities sobem, como no ano passado devido à seca nos Estados Unidos, os mais pobres reduzem o seu consumo.

“Eles não só fazem menos refeições, como também sua alimentação passa a ser menos diversificada. Esta ameaça não é vista como uma prioridade”, declarou na ocasião.

Esta abordagem foi contestada nas considerações dos “desnutridos”: para países africanos onde o número de pessoas que passam fome continua a aumentar (238 milhões no continente, um aumento de 36,8% na última década) o interesse nos “problemas dos ricos”, superalimentados a seus olhos, deve ser mínimo.

É necessário, portanto, “abordar estas questões, evitando ou revertendo a tendência recente” ao excesso de peso.

A FAO recomenda investir em agronomia e em pesquisas para melhorar a nutrição e também promover o consumo de frutas, verduras e legumes.

O essencial é garantir não apenas “o suficiente” para comer, mas também “a disponibilidade de alimentos seguros, variados e nutritivos”.

“Uma dieta saudável e boa nutrição começam com a agricultura. Nossa maneira de cultivar, processar, transportar e distribuir influencia o que comemos”, disse em uma mensagem o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.