Europa tenta chegar a acordo em plena crise dos refugiados

Os ministros das Relações Exteriores dos seis países da Europa central contrários a uma divisão obrigatória de migrantes se reúnem em Praga

Os países europeus tentarão esta semana chegar a um acordo sobre um princípio de distribuição de refugiados, que continuavam seguindo em fluxo contínuo em direção à Europa ocidental, de trem, ônibus ou a pé.

Os ministros das Relações Exteriores dos seis países da Europa central contrários a uma divisão obrigatória de migrantes – Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Romênia e Letônica – se reúnem em Praga com seu colega luxemburguês, Jean Asselborn, cujo país preside atualmente a União Europeia (UE).

A posição desses países criou uma profunda divisão na Europa entre o Leste e o Oeste a respeito da crise migratória.

Depois desta reunião de Praga, na terça-feira, em Bruxelas, os ministros do Interior da UE tentarão achar um consenso sobre a crise, antes do Conselho Europeu na quarta, com os chefes de Estado e de Governo.

O objetivo da Comissão Europeia é que os 120.000 refugiados da Síria e do Iraque, elegíveis para obter o direito de asilo, sejam repartidos automaticamente segundo cotas entre todos os países da União.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a reunião de quarta-feira provavelmente é “última oportunidade da Europa chegar a uma resposta unida e coerente para crise”.

Fluxo constante

Após uma viagem difícil atravessando os Bálcãs em ônibus, trens ou a pé, milhares de migrantes continuavam a chegar à Áustria, enquanto outros morreram tentando cruzar o Mediterrâneo.

O fluxo migratório incessante aumenta a pressão sobre a União Europeia.

Durante uma visita ao Marrocos, o presidente francês, François Hollande, expressou seu desejo de que “a delicada questão da divisão dos migrantes” esteja estabelecida antes da cúpula.

“A repartição de refugiados com direito de asilo deve ser feita entre todos os países europeus, ninguém pode se eximir, pertencemos ao mesmo conjunto de valores e princípios”, acrescentou.

Já o secretário de Estado americano, John Kerry, disse durante uma visita a Berlim que seu país prevê acolher em 2016 um total de 85.000 refugiados, entre eles 10.000 sírios, e outros 100.000 em 2017.

No domingo, cerca de 11.000 pessoas, principalmente refugiados sírios, afegãos e iraquianos que fugiam dos conflitos, chegaram à Áustria pelas fronteiras com Hungria e Eslovênia.

No domingo, a Hungria reabriu a fronteira com a Sérvia no posto de Röszke, onde foram registrados confrontos entre a polícia e os migrantes na quarta-feira passada.

Apesar das firmes declarações da Hungria, os quilômetros de cercas anunciados ao longo de suas fronteiras não foram finalizados, constataram jornalistas da AFP.

Budapeste começou a transportar milhares de pessoas até a fronteira com a Áustria.

Enquanto isso, o fluxo de migrantes entre Sérvia e Croácia continuava sendo grande. Desde quarta-feira Zagreb contabilizou 21.000 entradas, segundo números do ministério do Interior.

A maior parte deles passavam pelo posto em Tovarnik, de onde a maioria foi levada até a fronteira húngara.

Em vários postos fronteiriços da Croácia, centenas migrantes esperavam neste domingo para entrar na Eslovênia, indicaram repórteres da AFP. Em um deles, em Bregana, as famílias tinham prioridade, mas as pessoas faziam todo o possível para passar de qualquer jeito.

Enquanto isso, no sul do continente os migrantes seguem tentando entrar na União Europeia e, no domingo, 13 pessoas morreram na costa da Turquia após a colisão de uma balsa e de um barco de migrantes que se dirigia à Grécia.

No total, 46 refugiados estavam no bote que afundou no mar Egeu, indicou a agência de notícias Dogan, sem informar a nacionalidade das vítimas.

A guarda-costeira grega conseguiu salvar 22 passageiros do barco e seguia buscando outros possíveis sobreviventes. Seis crianças morreram no naufrágio.

Um dos sobreviventes, identificado como Hansen pela agência estatal grega ANA, disse que o acidente ocorreu durante a noite. “Estava escuro, vimos que o barco vinha em nossa direção. Tentamos fazer sinais com as lanternas e os telefones, mas não nos viram”, contou o refugiado. “Perdemos as crianças. Não conseguíamos vê-las na escuridão”, acrescentou.

Neste ano, quase meio milhão de pessoas cruzaram o Mediterrâneo para fugir de seus países de origem e se refugiar na Europa. Mais de 2.600 morreram na viagem.

Neste domingo, a Marinha italiana informou que estava realizando duas operações nas quais conseguiu salvar 610 pessoas, depois que no sábado mais de 4.500 migrantes foram resgatados.

Por sua vez, 215 pessoas foram resgatadas neste domingo pela guarda-costeira líbia.