Europa corta impostos e força movimento semelhante nos EUA

No Brasil, empresários lutam para evitar contínuas altas da carga tributária

A Europa está cortando impostos sobre os ganhos das empresas. Diante disso, os Estados Unidos devem aprofundar seus cortes, para não perder competitividade. Aqui no Brasil, os empresários lutam para que a carga tributária não seja elevada mais uma vez (leia reportagem de EXAME sobre as mais recentes investidas do Fisco brasileiro). Em reportagem desta sexta-feira (28/1), o americano The Wall Street Journal lista as reduções da carga aplicadas pela Irlanda (de 24% para 12,5% entre 2000 e 2003), Holanda (de 34,5% para 31,5%, mais simplificação da legislação), Portugal (de 37% para 27%), Áustria (34% para 25%) e Polônia (27% para 19% apenas durante 2004).

Mesmo a Alemanha, nota o jornal americano, campeã européia em obrigações fiscais e até há pouco tempo ferrenha opositora das reduções de alíquota, foi capaz de implementar um corte “dramático”, de 56% há seis anos, segundo a KPMG, para 38,3% ano passado. Com esse recuo, os Estados Unidos se viram com uma carga superior à de todos os concorrentes europeus. Segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e um relatório da KPMG, considerando a média dos tributos estaduais, a taxa média americana sobre faturamento e lucro das corporações bate em 40%. Além disso, a estrutura tributária vigente nos Estados Unidos é complexa, ressalta The Wall Street Journal.

A implicação lógica é que cada vez mais empresas americanas como Delphi, Amazon.com, eBay, HP, Lucent e Kellogg preferem expandir suas operações na Europa, especialmente na Irlanda, em vez de investir no país de origem. Em 2002, companhias americanas apuraram 26,8 bilhões de dólares de lucro com suas operações na Irlanda, e pagaram imposto de 8% sobre tais ganhos. A Holanda, destino de 180 bilhões de dólares de investimento americano por ano, pretende cortar até 2007 mais um ponto percentual de sua carga tributária.