EUA suspendem parcialmente o embargo de armas ao Vietnã

Funcionários do governo dos EUA negam que decisão seja anti-China, ressaltando que tem propósitos defensivos diante da "falta de capacidade marítima" na região

Washington – Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira a suspensão parcial de seu embargo de quatro décadas sobre a venda de armas para o Vietnã – informou o Departamento de Estado americano, depois de uma reunião entre o secretário John Kerry e o chanceler Pham Binh Min.

Kerry disse a Minh “que o Departamento de Estado está dando passos para permitir a transferência para o Vietnã de equipamentos de defesa referentes à segurança marítima, incluindo equipamento de defesa letal”, disse a porta-voz da diplomacia americana Jennifer Psaki.

“Essa medida tem como objetivo apoiar os esforços do Vietnã para melhorar seu conhecimento do domínio marítimo e suas capacidades em matéria de segurança marítima”, explicou Jen Psaki.

O anúncio foi feito depois da reunião de Kerry e Minh, nesta quinta-feira.

Funcionários do governo americano negam que a decisão seja “anti-China”, ressaltando que tem propósitos defensivos diante da “falta de capacidade marítima” na região.

A medida está sendo adotada após meses de tensões entre vários países que disputam ilhas no sul e no leste da China.

Embora os Estados Unidos não tenham tomado partido nessa disputa territorial, Washington advertiu Pequim sobre “ações desestabilizadoras” no mar do sul da China.

O gigante asiático reivindica a soberania de quase todo o mar da China Meridional, atravessado por importantes rotas marítimas e potencialmente rico em recursos, em litígios territoriais com Brunei, Malásia, Filipinas e Vietnã (membros da Asean, junto com Mianmar, Camboja, Laos, Cingapura e Tailândia), assim como com Taiwan.

As relações entre Pequim e Hanói têm sido especialmente tensas nos últimos meses, depois da instalação de uma plataforma de petróleo chinesa perto do arquipélago das ilhas Paracel. No Vietnã, o episódio deflagrou vários protestos, motivando a retirada da instalação.

Na quarta-feira, Kerry se reuniu com o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, em um encontro ofuscado pela crise política em Hong Kong.

Atualizado às 19h46.