EUA restringem vendas de refrigerantes em escolas

Pressão de grupos preocupados com a obesidade infantil deve repercutir em restrições de vendas também na Europa

A Coca-Cola, a Pepsi e outros fabricantes de refrigerantes cederam à pressão dos grupos que combatem a obesidade infantil e concordaram em restringir, voluntariamente, suas vendas em escolas e universidades dos Estados Unidos. A partir de agora, as empresas não comercializarão seus produtos nas escolas de ensino fundamental. Em colégios e universidades, a venda será feita com restrições.

É praticamente certo, segundo The Wall Street Journal, que a decisão alimente as pressões sobre a Coca-Cola e demais empresas também na Europa, onde diversas campanhas estão em curso para banir os refrigerantes das escolas.

O caso é mais um episódio do embate entre as grandes companhias, como a indústria do fumo, bebidas, armas e transgênicos, e os grupos que pregam o politicamente correto (se você é assinante, leia reportagem de capa de EXAME sobre como alguns setores lidam com a pressão desses grupos).

Entre outras restrições em estudo, as empresas só poderiam vender água mineral e suco de frutas nas unidades de ensino fundamental. Nos colégios, não seria permitido comercializar refrigerantes durante o dia. Já nas universidades, apenas metade das opções oferecidas nas máquinas de venda automáticas poderiam ser ocupadas por refrigerantes.

De acordo com The Wall Street Journal, o recuo dos fabricante assinala uma nova postura do setor, que, durante muito tempo, relutou em reconhecer a relação entre seus produtos e os problemas de saúde pública. “A obesidade infantil é um problema sério nos EUA, e a responsabilidade de encontrar uma solução está sendo compartilhada por todos”, diz Susan Neely, presidente da American Beverage Association, entidade que intermediou as negociações. Segundo pesquisas, 16% das crianças e adolescentes da América do Norte são obesos o que configuraria uma epidemia.